Aldeia de Korlai

Aldeia de Korlai

Chaul [Revdanda Fort], Maharashtra, Índia

Habitação

No tempo da fundação de Chaul, Korlai ou Kôrlê, como era designada, situava‑se também na foz do Rio Kundalika, a sul de Bombaim: protegida pelo morro natural, de importância estratégica na defesa do istmo, manteve até hoje o seu carácter rural. Apesar da sua localização, fronteira a Chaul, não evoluiu para uma povoação fortificada, beneficiando contudo do forte entretanto construído no topo do morro pelos muçulmanos e mais tarde tomado pelos portugueses. Ao invés, Chaul tornou‑se num assentamento de exceção em termos de fortificação e nobreza dos seus edifícios. Korlai manteve‑se rural e estabeleceu relações estreitas com Chaul, tendo recebido certamente desta influências de diverso tipo, desde logo a língua, seguindo‑se costumes, tecnologias, instrumentos, etc. Manteve‑se uma aldeia viva, mesmo com a decadência e desaparecimento de Chaul, integrando as diferentes comunidades hindu, muçulmana e católica numa unidade específica, mesmo após a deslocação da igreja e bairro católico para a periferia da aldeia, no século XVIII. A arquitetura tradicional atual, surge assim num longo percurso, entre uma remota fundação e as "serenas mudanças" de um tempo "sossegado". Provavelmente, as maiores transformações em termos de tipologias, materiais e de expressões, terão ocorrido já na última metade do século XX, ainda que no plano urbano a configuração de aldeia compacta se terá mantido estável, com um centro difuso e sem sentido de organização planeada. O templo católico, implantado numa periferia, liberta o único espaço público (adro lateral) digno dessa designação. Em seu redor localizam‑se as casas de dois pisos com coberturas de duas águas (fachada de empena), e quatro águas (fachada longitudinal). As paredes são elevadas em alvenaria rebocada e sob as coberturas dos alpendres do primeiro piso são visíveis os barrotes da estrutura de madeira que compõe as armações. Algumas destas casas, localizadas no bairro católico, têm acesso por escadas exteriores de madeira, que terminam no alpendre do piso superior, suportado por dois arcos de canto. Esta parece ser o tipo mais recente, enquanto a casa a tardoz da igreja será a que melhor exemplifica uma arquitetura potencialmente de influência portuguesa ou, pelo menos, comum às praças de Diu, Damão e Goa. Trata ‑se de uma casa de sobrado com galeria alpendrada em madeira, ao correr da fachada. Os tipos elementares dispersos por outras zonas da aldeia são genericamente de piso térreo de duas águas, com alpendre protegido por olas. A sua reduzida dimensão apenas permite a associação de compartimentos ligados entre si com a cozinha integrada num deles, com abertura a tardoz. Nenhuma das tipologias inclui quintais ou espaços exteriores vedados, apenas recantos onde se guarda a lenha, a carroça ou se pendura a roupa para secar, enquanto os animais domésticos rodeiam livremente as casas. Nalguns destes espaços, árvores dispersas proporcionam sombra; tal como os alpendres, são indispensáveis para a vivência coletiva.

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