Igreja de São Pedro dos Clérigos

Igreja de São Pedro dos Clérigos

Mariana, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Irmandade de São Pedro dos Clérigos, constituída por padres seculares, foi criada nesta localidade em 1731. Como de hábito, inicialmente a confraria se reuniu na matriz; em 1753, foi iniciada a terraplenagem da colina que domina a cidade, sobre a qual os irmãos decidiram erguer templo próprio, com o incentivo do bispo D. Manuel da Cruz. As obras avançaram muito lentamente, prolongando‐se até ao início do século XX, sem jamais serem totalmente concluídas. Esta igreja, juntamente como a do Rosário de Ouro Preto, foi descrita pelo historiador da arte John Bury como o fruto de um "breve episódio barroco" da arquitetura religiosa mineira, devido ao uso inusitado dos elementos curvilíneos. As plantas dos dois edifícios são constituídas por duas elipses entrelaçadas que são traduzidas na volumetria externa, e acopladas a um volume retangular posterior, correspondente à sacristia; a curva aparece também na forma côncava do telhado. A diferença entre os dois projetos reside principalmente no frontispício e nas torres, que têm secção quadrada em São Pedro dos Clérigos, e redonda no Rosário de Ouro Preto. O risco das duas igrejas foi atribuído ao bacharel António de Souza Calheiros, nas Memórias de um vereador de Mariana (1790), mas nos arquivos das igrejas não se encontra nenhum documento que comprove tal autoria. Por outro lado, é certo que José Pereira dos Santos foi o arrematante das duas igrejas, e que outro construtor português, Manuel Francisco de Araújo, também participou das duas obras. A forma deste templo também deve ser relacionada à sua homóloga do Rio de Janeiro: segundo Myriam A. de Oliveira, a introdução de temas curvilíneos na arquitetura colonial mineira pode ser associada à demanda específica da Irmandade de São Pedro dos Clérigos, cuja tradição arquitetónica privilegiava a forma circular, por analogia com a rotunda do Vaticano. Ao que parece, as obras progrediram com alguma rapidez na década de 1770, mas houve em seguida várias fases de paralisação, até que, por volta de 1820, os trabalhos foram abandonados, antes da construção das duas torres. Somente em 1920‐1922 estas foram edificadas, "num estilo pesado", pelo padre (e arquiteto) Arthur Hoyer. O interior da igreja ficou inacabado, e nele pode‐se ter uma verdadeira aula de arquitetura e de escultura ornamental: a bela talha em madeira não chegou a receber pintura e douramento, e a ausência do forro permite que se admire a sofisticada estrutura curvilínea do telhado.

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