Prisão Central [Cadeia]

Prisão Central [Cadeia]

São Tomé, Ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe

Equipamentos e infraestruturas

O primeiro grande projecto do GUC remetido à capital santomense é a cadeia. Realizada por Luís Borges Coelho em 1948, esta infraestrutura prisional, implantada na periferia da cidade, destinava-se a reclusos europeus e indígenas de ambos os sexos.

O partido arquitetónico é marcado por uma extrema sobriedade, dentro de ideais de "simplicidade e economia" citados pelo autor na memória descritiva que acompanha o projeto de arquitetura.

O edifício, de planta rectangular, é constituído por 4 volumes que limitam o seu perímetro, evitando a criação de elementos salientes e mantendo, assim, o conjunto o mais encerrado possível para o exterior.

A organização do estabelecimento prisional em torno de dois pátios permite a separação dos reclusos por sexo, com 1552 m2 reservados para prisioneiros homens e 672 m2 para mulheres.

A partir do grande vestíbulo do corpo principal efetua-se o acesso às diferentes áreas do amplo programa: instalações destinadas à assistência médica, dependências reservadas à administração e admissão, bem como sala de visitas e zonas destinadas aos reclusos - quatro celas com acesso direto ao pátio, oito celas e uma camarata masculina com 193 m2, ligada através de um vestíbulo às instalações sanitárias e ao pátio.

Nas fachadas exteriores, os vãos destinados à ventilação têm dimensões muito reduzidas (0,5 x 0,5 m), sendo, no entanto, mais alongados nos serviços de administração e admissão, localizados na fachada principal, e na zona de assistência médica na fachada posterior, de modo a conseguir-se uma maior e mais conveniente ventilação e evitando a monotonia na composição geral das fachadas.

A cobertura em telha tipo "Lusa" e respetivos beirados imprimem ao conjunto algumas das características inerentes à arquitetura portuguesa contribuindo para a estratégia impulsionada pelo Estado Novo no sentido de conformar uma arquitetura de representação nas então principais cidades coloniais.

Ana Vaz Milheiro

Os Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica.
(PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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