Igreja de Nossa Senhora do Ó

Igreja de Nossa Senhora do Ó

Sabará, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A devoção a Nossa Senhora do Ó, que se confunde com o culto de Nossa Senhora da Expectação, originou‐se nas sete antífonas cantadas na semana que antecede o Natal, as quais se iniciam pela interjeição "Ó", invocando o Cristo, a cada dia, por um título messiânico diferente, tomado do Antigo Testamento. Segundo G. Bazin, esta capela é um dos mais belos monumentos de Minas, pela sua rica decoração no estilo D. João V, aliada às pinturas de "chinesices". Lamentavelmente, não existem dados seguros sobre os artistas que nela trabalharam. No entanto, pode supor‐se que pelo menos um deles tenha sido Jacinto Ribeiro, "homem solteiro, que vive de sua arte de pintor, natural da Índia, idade de 38 anos". Este teria exercido seus talentos em Minas desde 1711, e é mencionado num documento de 1721 encontrado nos arquivos de Sabará. Por outras fontes, sabe‐se que em 1717 as mulheres devotas de Nossa Senhora da Expectação do Parto requereram da Câmara "70 braças de terra em quadra" no arraial de Tapanhuacanga, para incorporarem ao património da pequena ermida que estavam erguendo com as esmolas dos fiéis. Dois anos depois, Lucas Ribeiro de Almeida, capitão‐mor da Vila de Nossa Senhora da Conceição de Sabará, decidiu mandar erguer uma nova capela, mais ampla, como retribuição ao facto de ter escapado milagrosamente de uma queda de cavalo - episódio que está representado no quadro votivo que depositou na sacristia, em 20 de dezembro de 1720, e que ainda existe no local. É possível que o capitão‐mor também tenha mandado decorar a capela, pois, segundo G. Bazin, a magnífica ornamentação "data de mais ou menos 1725". Esta compõe‐se de "apainelados de madeira vermelho e ouro, enriquecidos com pinturas e painéis azul‐escuro com desenhos dourados imitando laca chinesa". Segundo A. da Silva Telles, "o estilo da talha do arco‐cruzeiro, das paredes e tetos, totalmente compartimentados por estes painéis", "é de feição arcaica, especificamente seiscentista, com elemen‐ tos de vinhas, flores e pássaros". A riqueza do interior contrasta com o aspecto singelo da fachada, chanfrada em três planos, com a torre sineira no plano da porta principal. A igreja foi classificada pelo IPHAN em 1938.

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