Banco Nacional Ultramarino (atual Banco de Moçambique)

Banco Nacional Ultramarino (atual Banco de Moçambique)

Maputo [Lourenço Marques], Maputo, Moçambique

Equipamentos e infraestruturas

Os edifícios de escritórios em Moçambique constituem estruturas de prestígio e de marcação do ambiente cosmopolita da então cidade de Lourenço Marques. O Banco de Moçambique, que sucedeu ao Banco Nacional Ultramarino (BNU), em Maputo, de José Gomes Bastos (1914-1991) e Marcos Miranda Guedes (1924-2001), destaca-se pela escala e rigor do desenho no conjunto da Baixa da cidade.

Localizado no centro de Maputo ao lado da Praça 25 de Junho, entre a Rua Consiglieri Pedroso e a Avenida 25 de Setembro, foi construído em 1964, projectado em 1954, pelo arquitecto José Gomes Bastos convidado pela administração do Banco, e ocupa parte de um quarteirão na transição entre a estrutura original de Lourenço Marques e o Plano de Araújo (1887-1892).

                O conjunto de volumes que constituem o Banco forma um anel rectangular, com três frentes urbanas e uma empena, formalmente unificado pelas palas de betão, pelo desenho das janelas verticais, e pela repetição dos módulos dos vãos que em conjunto com os elementos verticais conferem ritmo às fachadas. O centro do anel é um vazio de iluminação e ventilação presente em todos os pisos, excepto no piso de entrada, onde é desenhado um volume cilíndrico contendo a escadaria, limitado pela superfície curva da abóbada que cobre este piso.

O edifício construído corresponde a um complexo multifuncional que inclui, além dos serviços bancários internos e atendimento ao cliente (cave, 1º, 2º, 3º e 8º pisos), um o centro de lazer e um centro de saúde (5º piso), a assistência social (6º piso), e área de habitações (6º e 7º pisos), constituindo uma grande diversidade programática que foi possível integrar uma vez que cada piso, apesar de limitado pelos contornos variáveis das volumetrias exteriores, é dimensionado através de uma malha estrutural e compositiva que constitui uma matriz em planta livre, divisível de acordo com as diferentes necessidades de organização funcional. Esta malha estrutural é evidente nos alçados exteriores.

O acesso à área de público é realizado através das fachadas abertas sobre as principais artérias, e a entrada de serviço, bem como a entrada das habitações localizadas nos pisos superiores, é realizada pela travessa lateral.

O Banco de Moçambique é, pela mão de José Gomes Bastos, um exemplo de integração de obras de arte, nomeadamente: o painel de cerâmica policromada colocada no exterior da entrada principal, projectado por Querubim Lapa; as três esculturas de bronze suspensas na parede principal do lobby ao fundo, por Manuela Madureira; o desenho para o revestimento a mosaico de vidro de Murano das paredes da escada helicoidal por Estrela de Faria, executado em Itália pela firma Vetreria Ugo & Figlio e aplicado no local por mosaicistas da fábrica italiana E. Zavagno e A. Chivilò; o mural gravado sobre a parede de mármore na parede nordeste da sala do público no piso térreo de Francisco Relógio; a pintura a óleo na parede sudeste da entrada do 3º piso de Rolando Sá Nogueira ou José Freire, autoria ainda por confirmar; o painel com pintura na parede sudeste do vestíbulo da administração de Jorge Garizo do Carmo; e a pintura de Malangatana Ngwega Valente na sala de festas dos empregados. No centro social foram colocados painéis de Bertina Lopes e Malangatana.

“Constitui um exemplo da aplicação dos modelos e dos princípios arquitectónicos do Movimento Moderno do pós-guerra, legíveis quer na linguagem do edifício, como nos brise-soleil da fachada principal, quer na integração sintética de diversas artes (gesamtkunstwerk) no desenho arquitectónico”.

 

Original de Elisiário Miranda

(FCT: PTDC/AUR-AQI/103229/2008)

Adaptação de Ana Tostões, Daniela Arnaut

Loading…