Chittagong [Chatigão/Chatigaon/Porto Grande de Bengala]

Lat: 22.332236001453000, Long: 91.841539000141000

Chittagong [Chatigão/Chatigaon/Porto Grande de Bengala]

Chittagong, Bangladesh

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Chatigão foi o primeiro porto a ser visitado frequentemente pelos portugueses na região de Bengala. Em 1537 obtiveram do governante local, Mahmud Shah, autorização para se instalarem, bem como importantes direitos alfandegários. Apesar da queda e destruição de Gaur (Gouro) logo no ano seguinte, até ao final do século esta comunidade portuguesa - então sob a esfera do reino de Arracão (Pegu, Birmânia) - manteve uma importante atividade comercial. No século imediato, Chatigão tornou‐se uma das principais zonas de contenda no conflito entre aquele reino e e o império mogol. Nas batalhas decorrentes, os mercenários portugueses apoiaram tanto uns como outros, beneficiando temporariamente do clima anárquico nas regiões costeiras da Baía de Bengala.
Em troca do apoio dos portugueses, em finais do século XVI o rei de Arracão entregou‐lhes o controle de Chatigão, situação que perdurou até 1603. Nesse ano a comunidade portuguesa foi atacada e teve de se refugiar na Ilha de Sandwip (Sundiva). Pouco tempo depois os portugueses voltaram à região de Chatigão, concentrando‐se na povoação de Dianga, a sudoeste da cidade. Os exércitos de Arracão atacaram novamente em 1607, tendo massacrado grande parte dos portugueses. As relações entre Portugal e Arracão foram reatadas a partir de 1617, tendo‐se parcialmente recomposto o comércio na zona. Em 1666, com o ataque do vice‐rei de Bengala, Shasta Khan, a Chatigão, a maior parte da comunidade portuguesa fixou‐se na região de Dacca.
O núcleo de fixação portuguesa em Chatigão corresponde ao antigo Bairro de Firingeebunder, polarizado pela atual Igreja de São Plácido. Apesar de esta ser uma construção de missionários americanos de meados do século XIX, ocupa o lugar de uma estrutura religiosa de origem portuguesa. Aproximadamente a trezentos metros a noroeste da igreja está implantada uma escola secundária pública, em cujo recinto subsistem as ruínas de uma estrutura de origem alegadamente portuguesa. Também num local próximo daquela igreja existe um posto de polícia abandonado, cujas ruínas são igualmente apontadas como sendo de origem portuguesa.
Sabe‐se que, por exemplo, que os jesuítas ergueram em Chatigão duas igrejas e uma residência, mas nada permite relacionar estas notícias com qualquer um dos vestígios identificados. Nenhum deles foi objeto de visita de alguém especializado nas temáticas do património de origem portuguesa, carecendo por isso de um estudo monográfico integrando uma missão arqueológica para determinar a sua origem e história. Importa ainda estabelecer a localização exata da antiga povoação de Dianga, pois também essa será uma posição com provável potencial arqueológico no que diz respeito a elementos de origem portuguesa. Estamos em crer que o Forte de Diang, situado a cerca de vinte quilómetros de Chatigão e de que também se diz ser de fundação portuguesa, poderá ser a ponta ainda visível desse potencial.

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