Ruínas da Capela de Nossa Senhora das Candeias (Engenho Cunhaú)

Ruínas da Capela de Nossa Senhora das Candeias (Engenho Cunhaú)

Canguaretama, Rio Grande do Norte, Brasil

Arquitetura religiosa

O Engenho Cunhaú foi o primeiro do Rio Grande do Norte - já se encontrava em atividade em 1614. Ele foi erguido na sesmaria transferida por Jerónimo de Albuquerque aos seus filhos, António e Matias, e permaneceu com esta mesma família até 1925. Localiza‐se na várzea do Rio Cunhaú, no extremo sul da capitania, e até ao século XIX marcava o limite norte da área de produção açucareira vinculada a Pernambuco, Solar do Ferreiro Torto). Em 1810, foi descrito como magnífico e feudal pelo viajante inglês Koster. As origens da capela da propriedade, com invocação de Nossa Senhora das Candeias, confundem‐se com as do próprio engenho, visto que ela já existia aquando da invasão holandesa, na primeira metade do século XVII. Em 1645, após uma missa, cerca de setenta pessoas foram assassinadas no seu interior, pelos holandeses e índios aliados. Com isto, a capela transformou‐se em local de peregrinação (as vítimas foram beatificadas como mártires em 2000). Em 1929, quando visitada por Mário de Andrade, já estava arruinada. Persistiam as paredes da nave, da capela‐mor e da sacristia (em alvenaria de pedra regularizada por tijolos), e o arco‐cruzeiro, em cantaria, mas restavam apenas escombros da fachada de tijolos, com características formais do século XVIII (não há imagem da edificação íntegra). Em 1964, essas ruínas foram classificadas pelo IPHAN, e em 1986 foram concluídas obras de reconstrução que foram objeto de polémica.

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