Conjunto da Santa Casa de Misericórdia

Conjunto da Santa Casa de Misericórdia

João Pessoa, Paraíba, Brasil

Arquitetura religiosa

A Santa Casa de Misericórdia da Paraíba foi fundada por Duarte Gomes da Silveira, um dos primeiros povoadores da capitania. Há registo de sua existência em 1589. Em 1618, a igreja, voltada para a Rua Direita, estava quase pronta. O hospital, voltado para a Rua da Cadeia, também estava concluído antes da invasão holandesa. O conjunto sempre teve papel importante na cidade: o hospital, sucessivamente reformado, e finalmente demolido em 1924, permanece funcionando em outra localização, enquanto a igreja serviu de matriz, quando esta se encontrava em obras. Os elementos construtivos mostram os diversos momentos da construção. A fachada (descaracterizada em 1908 e recomposta em 1974) muito provavelmente remonta aos primeiros tempos: sua composição é singela, resumindo‐se ao frontão triangular com óculo, à porta única, de verga reta, e às duas janelas no coro alto. É provável que sejam do mesmo período o arco da capela do Salvador do Mundo (encimado por um brasão nobiliárquico, supostamente de Duarte da Silveira, fundador do morgado de mesmo nome), a abóbada de cantaria e também o arco‐cruzeiro. Destaca‐se a cantaria deste último, com decoração vegetal no tímpano e nos socos, e o brasão policromado da coroa portuguesa no alto. Já as tribunas da nave (com verga em arco abatido e decoração com volutas e concha) e o altar colateral do lado da Epístola (com frontão de volutas partido) são de meados do século XVIII. Finalmente, a galeria (com consistório, sacristia e capela do Senhor Morto), possivelmente da mesma época das tribunas, tem elementos do século XIX. No início do século XX, foram inseridos o retábulo atual (de alvenaria e madeira) e novos forros, pisos e imagens. A igreja foi classificada pelo IPHAN em 1938 e, além da recomposição da fachada, passou por reparos gerais. Entre 2003 e 2007, sofreu um restauro completo, executado pela Oficina‐Escola de Revitalização do Património Histórico de João Pessoa, que incluiu consolidação estrutural, retirada de repinturas, nova cobertura, substituição de pisos e guarda‐corpos.

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