Palácio dos Arcebispos

Palácio dos Arcebispos

Goa [Velha Goa], Goa, Índia

Habitação

De linhas simples e austeras, este palácio tem o mérito de ser o único edifício de arquitetura civil do período áureo de Goa a chegar até nós. A sua construção iniciou ‑se nos finais do século XVI, a par da Sé Catedral, com que este palácio estabelecia ligação direta. Em 1608, Pyrard de la Valle descreve o edifício já terminado, encontrando ‑se a catedral ainda em fase de construção. Nesta época, Frei Aleixo de Meneses governava a Arquidiocese de Goa. Terá sido durante o seu arcebispado que o palácio foi concluído, pois tanto as escadarias do pórtico de entrada como os salões ostentam decorações de esgrafitados com a águia bicéfala, símbolo dos agostinhos, ordem de onde provinha aquele arcebispo. Visto do lado do rio, o edifício apresenta uma volumetria de grande palácio acastelado, condizente com o carácter do Palácio da Fortaleza. Para o interior da cidade, originalmente, o edifício recolhia ‑se sobre um pátio murado. Apresenta, a vários níveis, afinidades com o Palácio da Fortaleza ou dos Vice ‑Reis. Ambos os palácios tinham a entrada principal virada para a cidade, processando‑se esta por pórtico com larga escadaria exterior sobre um terreiro fechado por altos muros. Igualmente, as traseiras viravam‑se sobre a barra do Mandovi. Numa fotografia antiga dos fotógrafos Sousa & Paul, o palácio, visto do rio, ainda apresenta vários corpos e duas largas varandas de colunas, que Pyrard de la Valle refere também terem existido no Palácio da Fortaleza. Com um desenho de grande austeridade e secura estética, nos dois corpos que estruturam o alçado principal manifesta ‑se uma total ausência de decoração, com janelas de molduras retas e sacadas lisas, sem qualquer elemento decorativo. Os dois alpendres que dão acesso aos dois extremos do corpo principal indiciam pelo seu desenho terem sido construídos em épocas diferentes. Se o alpendre principal mantém características chãs, de acordo com a estética do projeto inicial, o segundo alpendre é construído ou transformado no século XVIII. Estas obras devem coincidir com a transformação da grande sala de audiências em capela, na consequência da passagem da residência oficial dos arcebispos para o Palácio de Panelim, nos finais do século XVII. No seu programa interior, o palácio apresenta como elementos estruturais duas vastas salas, que correspondem à antecâmara e sala de audiências. Nos tetos destas salas ainda são visíveis as asnas de madeira entalhada, de forte inspiração indiana, que encontramos noutros grandes edifícios do século XVIII. Na época, os tetos seriam pintados, como acontecia nas igrejas, mas terão desaparecido com o abandono do palácio. Em paralelo com o Palácio dos Vice ‑Reis, a sala de audiências era decorada com os retratos dos arcebispos, os quais foram depois colocados no palácio dos arcebispos em Panelim como refere Denis de Kloguen, que habitou este último palácio como convidado do arcebispo.

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