Torre Cabrita

Torre Cabrita

Muscat [Mascate], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

Fruto da campanha de trabalhos iniciados em 1623, a muralha que limita a cidade do lado do sertão é, na representação do século XVII, um arco que liga as serras de cada um dos lados da baía e a torna inexpugnável. No desenho, esta muralha tem adossadas seis torres, duas delas presas à serrania. A realidade, comprovada pela presença in loco, cartografia moderna e vista de satélite, dita‐nos uma muralha que não se desenvolve em arco, antes em dois troços que têm por charneira a Torre Kabritta, ou Torre Cabrita, baptizada com o nome do português que a defendeu até à morte. Esta torre é aliás a única que corresponde à imagem de Setecentos, dado tratar‐se de um baluarte pentagonal. As restantes, mais pequenas, são redondas do lado exterior e poligonais do lado interno. No que está representado como uma das portas da cidade terão os tempos ditado a construção de duas pequenas torres envolventes. O fosso atualmente existente será naturalmente o primitivo, mas a representação de Barreto de Resende/Bocarro não o deixa adivinhar, por ser a vista tomada do lado do mar e estar o mesmo oculto pela muralha, que tem aproximadamente 1.260 metros de extensão. Mariano Saldanha referia que o palácio do sultão seria a antiga feitoria, mas desta construção nada existe, porque o atual palácio foi construído na década de 70 do século XX, sobre o mesmo local. Aquando da conquista de Mascate por Afonso de Albuquerque, e fazendo fé nas palavras de Brás de Albuquerque, a cidade não dispunha de mais do que um muro de madeira de dez palmos de largo e vinte de alto entulhado de terra, mas dada a importância estratégica do lugar coube aos portugueses fortificarem a baía. Para fazer frente aos permanentes ataques e cobiça de turcos e persas, D. João de Lisboa iniciou, em 1552, a construção de um forte do lado ocidental da baía, que no entanto viria a ser destruído por posterior invasão turca.

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