Aeroporto Internacional de Mavalane (depois Aeroporto Gago Coutinho, hoje Aeroporto Internacional de Maputo)

Aeroporto Internacional de Mavalane (depois Aeroporto Gago Coutinho, hoje Aeroporto Internacional de Maputo)

Maputo [Lourenço Marques], Maputo, Moçambique

Equipamentos e infraestruturas

A primeira infraestrutura aeronáutica construída na então cidade de Lourenço Marques (atual Maputo) data de 1911. Tratava-se de uma pista provisória, aberta em terrenos da Machava, onde o pioneiro aviador sul-africano, John Weston, realizou alguns voos de demonstração. Apenas em 1917, após o término da I Guerra Mundial, se viria a construir um novo campo de aviação, com os respectivos hangares e edifícios de apoio, no alto da Matola. Ali se instalou a Esquadrilha de Aviação, composta pelos aviões militares que tinham operado no Niassa, no decorrer daquele conflito. Esta esquadrilha ali permaneceu até 30 de Janeiro de 1921, altura em que foi extinta.
Uma nova pista viria a ser aberta na Carreira de Tiro (Polana) em Julho de 1928. Enncontrava-se instalada em terrenos da Delagoa Bay Land Syndicate, próximo dos terrenos do Clube de Golfe e a sul da atual Cadeia Civil. A construção desta pista, de areia batida, foi entregue ao tenente Luciano Granate. Ao que parece, a única estrutura de apoio existente era um velho hangar, que viria a ser demolido em 1937, tendo sido construído um outro em sua substituição. Em Outubro desse mesmo ano viria a ser iluminado, com quatro projetores.
O primeiro avião a aterrar ali, foi um aparelho Moth "Slotted Wing", do major Allister Miller, da African Airways, Ltd, em 2 de Julho de 1928. Esta companhia sul-africana pretendia estender a sua atividade a todo o sub-continente, e não estava posta de parte a hipótese de uma ligação com a capital moçambicana. Os voos de demonstração realizados por este aviador devem ter levado os entusiastas locais à fundação do Aero-Clube de Moçambique.
Após a criação do aeroporto internacional de Mavalane, em Abril de 1938, dava-se notícia que a pista da Carreira de Tiro tinha sido fechada ao público. Posteriormente, viria a ser transformado em "aeródromo particular e de turismo", sob responsabilidade do Clube Aeronáutico Desportivo. Após ter sofrido obras de beneficiação, viria a ser inaugurado em 7 de Julho de 1940, ficando à responsabilidade daquela colectividade. Não deve ter sobrevivido muito tempo depois, já que o clube se debatia com grandes dificuldades financeiras.
Um Aeroporto Internacional em Mavalane. Em finais de 1935 ou princípios de 1936, o Governo da União Sul-Africana e o Governo de Geral de Moçambique trocaram impressões com vista ao estabelecimento de carreiras aéreas regulares, em regime de reciprocidade. Assim, a criação da Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos (DETA), em 26 de Agosto de 1936, teve em vista concretizar as negociações encetadas entre os dois governos.
Um outro passo importante viria a ocorrer, dois anos mais tarde, com a criação de um novo aeroporto na capital moçambicana, situado ao quilómetro 7 da linha de Marracuene (Mavalane), em 6 de Abril de 1938.
O novo aeroporto viria a ser edificado em terrenos pertencentes a Eilen Eimett Fragoso, adquiridos por Esc. 250.000$00, estando ligado à cidade pela antiga estrada do forno crematório, tendo-se prolongado a Avenida de Angola em cerca de dois quilómetros. Posteriormente, a área do aeroporto viria a ser expandida, com a aquisição de novos terrenos. Se, em 1936 a área do aeroporto compreendia cerca de 1 milhão de metros quadrados, em 1957 esta área estava já calculada em 5 milhões, compreendendo : faixas de rolagem e caminhos de acesso asfaltados 314.000 m2; zonas arrelvadas relativas aos corredores de segurança e entre os corredores de segurança limite das placas e contorno do aeródromo, 1,730.000 metros 2; testeiras e cones de entradas 545.000 m2; plataformas de estacionamento em betão, 16.000 m2; áreas dos ângulos mortos do aeródromo, 2.880.000 m2; áreas residenciais, hangares, jardins e arruamentos, 90.000m2; alameda e avenida do aeroporto, 75.000m2.
Até fins de Março de 1938 foi ainda utilizado o antigo aeródromo militar da Carreira do Tiro, por não se terem ainda as pistas preparadas do novo para os aviões poderem aterrar e descolar com carga. Porém, no final do dia, os aviões eram recolhidos no hangar de Mavalane, para onde vinham descarregados. A partir de Abril desse ano, todo o serviço passou a ser feito no atual aeroporto, encontrando-se funcionais apenas duas pistas N-S e E-O, tendo as duas restantes ficado concluídas apenas três meses depois.
O terreno do novo aeródromo era arenoso. Foi primeiro necessário limpar e nivelar, tendo-se semeado erva rasteira local, que era regada diariamente. Posteriormente, quando a erva pegou foi o terreno cilindrado, primeiro com um cilindro de 2 toneladas e depois com outro de cinco. A partir de 1944 iniciaram-se os estudos para a construção de pistas de betão armado nos aeroportos de Lourenço Marques, Beira e Tete, com comprimento de 2.000 metros, largura de 60 metros e corredores de segurança de 150 metros, capazes de receber quadrimotores. Porém, as obras viriam apenas a ser executadas após a aquisição dos aviões DC3, obrigando à ampliação de todas as pistas.
Em Lourenço Marques, as obras foram adjudicadas à Construtora do Tâmega, tendo ficado concluídas em 1954. A pista principal ficou então com 2.250 metros. As pistas do aeroporto viriam ainda a sofrer obras de consolidação e ampliação em 1969, de forma a acolher com segurança tanto os Boeing 737 da DETA, como os Boeing 707 dos Transportes Aéreos Portugueses (TAP).
A pista principal passou a ter então 2.700 metros de comprimento. Na aerogare e outros edifícios de apoio logo de início foi necessário instalar vários serviços: saúde, alfândega, imigração e bombeiros. O primeiro edifício, de grandes dimensões, a ser construído no atual aeroporto, foi um hangar metálico, adjudicado à Sociedade Colonia, por £23.000 libras, tendo ficado concluído em finais de 1937. Um novo hangar viria a ser adjudicado em Julho de 1939, destinado a acolher os novos aviões Junkers, instalando-se também ali as oficinas da companhia. Ao mesmo tempo, tratava-se já da iluminação das pistas, a partir do que tinha sido visto nos aeroportos de Germiston (Africa do Sul) e Bulawayo (Rodésia do Sul).
Concedeu-se o aluguer de terrenos, por 20 anos, à Shell para ali instalar depósitos subterrâneos de combustível e instalações de escritório e garagem. Novas instalações desta companhia de combustíveis viriam a ser inauguradas em 19 de Junho de 1958.
Desde Novembro de 1936 que se pensava na construção da aerogare do novo aeródromo internacional. O primeiro projeto aproximava-se das instalações existentes em Durban, mas o seu custo, calculado em 6.000 ou 7.000 contos, não mereceu aprovação do Governo Geral da colónia. Foi então elaborado novo projeto, que apareceu depois como o projeto-tipo para os aeroportos principais, como era o caso de Lourenço Marques, Inhambane, Quelimane e Lumbo, mas o orçamento de 2.200 a 2.300 contos foi ainda considerado despropositado. Finalmente, a estação aérea aprovada, da autoria do engenheiro praticante da Direcção de Estudos e Construção, Tito Lívio da Cruz Esteves, com fachada do arquiteco Carlos Santos, estava orçada em apenas Esc. 861.500$00, tendo sido feita por administração direta.
A nova aerogare viria a ser inaugurada em 17 de Novembro de 1940, no decorrer das comemorações do Duplo Centenário da Independência e Restauração de Portugal. As maiores exigências das aeronaves e da evolução dos próprios serviços levaram à ampliação da superfície ocupada e à execução de obras e instalações realizadas a coberto dos Planos de Fomento.
O Plano Geral do Aeroporto de Lourenço Marques, aprovado em 1948, estruturou um conjunto de intervenções que decorreram em duas fases distintas: numa primeira fase a ampliação das pistas existentes, sua pavimentação e iluminação e a construção de novos edifícios — manutenção de aeronaves, serviços técnicos, torre de comando, centro emissor e receptor, centrais de emergência, rádio-ajudas, instalações petrolíferas, etc.; numa segunda fase a construção de um novo edifício terminal, por inadequação da construção existente às necessidades existentes e pela importância que o empreendimento assumia para a aeronáutica da província. Entre as obras mais importantes executadas, contam-se a torre de controlo, concluída em 1958, as oficinas da DETA, cujo projeto é dos arquitetos Marcos Miranda Guedes e Octávio Pó (1964 em acabamentos em Dezembro de 1962), e uma terminal de carga (1972).
Dotado o aeroporto com o que era essencial para a segurança da navegação aérea, foi depois construída a nova estação, inaugurada a 17 de Junho de 1963, em comemoração da chegada ao Rio de Janeiro do avião em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a primeira travessia do Atlântico Sul. Esta aerogare, que veio a ser demolida recentemente, foi desenhada entre 1958 e 1960, por uma equipe chefiada pelo arquiteto Cândido Palma de Melo e acompanhado pelo Serviço de Obras da Direcção Geral de Aeronáutica Civil.
O edifício compreendia um imóvel compacto, de volume simples, com o comprimento de 210 metros e a largura de 22,40 metros, servindo a ala esquerda para instalação de serviços técnicos, a parte central para o movimento de passageiros e a ala direita destinada aos serviços aduaneiros, sanidade, polícia e armazém alfandegário. No piso superior estava instalado um restaurante e um botequim. Este encontrava-se implantado no remate de uma alameda de grandes dimensões e ladeado pelas restantes construções de apoio ao aeroporto. O seu custo foi calculado em cerca de 14.750 contos.
Esta aerogare viria ainda a sofrer obras de ampliação e modernização entre 1972 e 1974. O edifício que servira até então de aeródromo, após ser ampliado, destinou-se à instalação de diversos serviços da DETA. A partir da década de 1970 pensava-se já em transferir o aeroporto da capital moçambicana para outro local, em virtude da sua localização impedir a expansão da cidade. Boane e Marracuene eram as regiões identificadas, mas a preferência dos técnicos inclinava-se para o primeira localidade, devido à configuração e consistência do terreno.
Em Fevereiro de 2006, a empresa Aeroportos de Moçambique (ADM EP)iniciou um projecto com vista à modernização e ampliação da Aerogare de Maputo. Os trabalhos executados compreenderam a construção de um novo terminal internacional de passageiros, que viria a ser inaugurado em 12 de Novembro de 2010; uma terminal doméstica e internacional de carga e uma nova torre de controlo, concluídas em 2009; e, finalmente, uma terminal doméstica de passageiros, a entrar em funcionamento em Outubro de 2012.

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