Fortaleza

Fortaleza

Trincomalee [Trinquinimale], Província Oriental, Sri Lanka

Arquitetura militar

Cidade situada nas margens do maior porto natural de Ceilão, na foz do Mahaweli Ganga no nordeste da ilha, aparece nas fontes portuguesas com o nome de"Triquilimalé". Conserva‐se hoje, no istmo de um pequeno promontório que controla a entrada da baía no nordeste da cidade, um forte do período holandês (1639‐1796) com origem no período português. Embora a planta do edifício atual seja diferente da original, é de assumir que uma parte das estruturas existentes seja portuguesa. O primeiro projeto para uma ocupação portuguesa do lugar, da autoria de Miguel Ferreira, data da década de 1540. A região beneficiava então de larga autonomia política, embora estivesse na esfera de influência do reino de Kandy.
Aquele, situado no centro da ilha, comunicava com o exterior através de Batticaloa e Trincomalee. A partir de finais da década de 1610, Lisboa ordenou a fortificação de ambos os lugares. As ordens foram transmitidas pelo vice‐rei D. Francisco da Gama ao capitão‐geral de Ceilão, Constantino de Sá de Noronha, que procedeu à fortificação do lugar em 1623 com a assistência do engenheiro militar Francisco Pinto Pimenta. O lugar escolhido para o forte era adjacente ao templo de Konesar (Tiru Koneswaram), prestigioso local de peregrinação hindu que, em 1620, havia já servido de quartel a uma fracassada expedição dinamarquesa. Constantino de Sá mandou demolir o templo, usando alguns dos materiais para a construção de um forte algumas centenas de metros mais a oeste.
A estrutura erguida em 1623 era triangular. O baluarte meridional (Santa Cruz), virado para a entrada da baía, poderá corresponder ao atual baluarte sudeste ou sudoeste (sendo mais provável o segundo, pois permitia obter a muralha mais curta de mar a mar). O baluarte noroeste do forte português (Santiago) parece sobreviver na estrutura atualmente existente no seu lugar, embora a extensão exata das obras holandesas posteriores esteja por estabelecer. No canto nordeste (Santo António) aparece num desenho português de 1624 uma estrutura sub‐hexagonal com o comentário "este baluarte se acomodou ao sítio". No seu lugar, demasiado rochoso para obras maiores, o atual forte não apresenta nenhum baluarte saliente. Os três baluartes portugueses estavam ligados por panos de muralha, dos quais o setentrional, assente sobre as rochas do litoral, terá sido inicialmente o mais frágil. A leste do forte, no promontório assim separado da terra firme, estabeleceu‐se uma comunidade de casados. O pequeno povoado estruturava‐se ao longo de um eixo que deverá remontar a épocas anteriores (dando na origem acesso ao edifício principal do templo) e sobrevive hoje como espaço público.
O Forte de Trincomalee foi tomado pelos holandeses em 1639 e sujeito, nas décadas seguintes, a obras de consolidação e beneficiação, passando‐se nomeadamente de uma planta triangular para uma planta sub‐quadrangular. É de salientar, no entanto, que as chefias da Companhia Holandesa das Índias Orientais consideraram entregar o lugar ao rei de Kandy, o que justificaria alguma moderação nas obras. Estabeleceu‐se finalmente, sob o comando de Rijckloff van Goens, uma série de cinco outros fortes menores para a proteção da baía. Hoje em dia a cidade, e especialmente o forte, é de difícil acesso, devido ao estado de guerra que aí se vive.

Loading…