Forte

Forte

Tiracol [Terekhol], Goa, Índia

Arquitetura militar

Localizado na margem norte do rio do mesmo nome, o Forte de Tiracol constitui o limite norte do território goês, numa zona já muito marcada pela influência do vizinho estado de Maharashtra. Conquistado em 1746 à dinastia marata dos bonsulós (bhonsale) do reino de Sawantvadi, pelo vice‐rei marquês de Castelo Novo, no contexto do alargamento territorial de Goa, o Forte de Tiracol foi palco de revoltas e escaramuças até inícios do século XX. Encontra‐se atualmente covertido em hotel. Implantado em posição sobranceira ao rio, o forte apresenta uma forma retangular orientada a nascente‐poente. A muralha norte contém dois baluartes em forma de tesoura e o flanco sul, rematado também por dois baluartes, apresenta uma estrutura de dois pisos ao longo de todo o seu comprimento. A partir desta cortina sul parte uma couraça em direção ao rio e a um pequeno baluarte redondo. Adossados ainda à estrutura do lado sul estão dois pequenos torreões. A couraça que acompanha o declive da encosta contém no interior uma escadaria que conduz até ao baluarte ribeirinho. A entrada principal da fortificação situa‐se no flanco leste e abre para um terreiro; a ocupar toda a metade oeste deste terreiro está a Igreja de Santo António. Esta estrutura religiosa apresenta uma fachada principal de desenho eclético, datável de inícios do século XIX mas com intervenções posteriores. No segundo nível da fachada, a flanquear a janela sobre a entrada principal, encontram‐se esculpidas em relevo as imagens de São Sebastião e São Francisco Xavier. A coroar a com‐ posição, e entre as falsas torres sineiras, situa‐se um nicho, provavelmente para a imagem de Santo António. O nicho está flanqueado por relevos com figuras de querubins e outros símbolos religiosos. Ainda no terreiro, e perto da entrada do forte, ergue‐se uma estátua de Cristo‐Rei sobre um pedestal com a data de 1953. O Forte de Tiracol voltou a ganhar importância nos últimos anos da presença portuguesa na Índia, quando foi atacado pelas forças do movimento anti‐colonial. Datam provavelmente da década de 1950 várias obras de restauro e acomodações bastantes para receber uma guarnição efetiva. Com a transformação recente em hotel, é provável que se tenham registado várias alterações nos espaços interiores da estrutura. Contudo, o seu conjunto e aspecto exterior mantêm as características essenciais do período português.

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