Igreja de São Miguel Arcanjo

Igreja de São Miguel Arcanjo

Taleigão, Goa, Índia

Arquitetura religiosa

A Igreja de São Miguel Arcanjo foi fundada em 1544 como uma das primeiras paróquias a cargo dos dominicanos nas Ilhas e está a cargo do clero secular desde a década de 1770. Tem a capela‐mor a nascente e vira a fachada principal aos terrenos de cultivo de arroz, ainda hoje razoavelmente intocados pela construção moderna. A povoação - que foi, até ao século XX, a mais importante de toda a região, levando até vantagem a Pangim- estende‐se por detrás e para norte da igreja no meio do coqueiral. A poente e norte da igreja existe um vasto terreiro com cruzeiro. Trata‐se de uma igreja de nave única com cobertura de telhado, capela‐mor abobadada a pedra, sem transepto, coro alto sobre a porta sustentado por arcos, janelas correndo altas nas paredes laterais, uma torre a norte alinhada ao plano da fachada principal, galilé exterior de três arcos abobadada, porta lateral alpendrada a norte. A sul, destaca‐se do plano da fachada um corpo saliente coberto de telhado, como se fosse uma torre não concluída, dotado de porta ornamentada. Dá acesso a uma galeria exterior coberta que corre ao longo da fachada lateral sul e distribui os percursos para vários edifícios, hoje de serviço paroquial. O desenho da porta parece mais antigo que outros pormenores da igreja: é constituída por uma composição de pilastras, aletas e pináculos de bola da segunda metade do século XVI. Este corpo construído saliente seria tal‐ vez a portaria de um priorado dominicano. A decoração com molduras de incisão muito acentuadas que se vê na galilé da igreja, nos arcos e pilares do coro alto, no arco triunfal e nos caixotões da abóbada de berço da capela‐mor parece obra da segunda metade do século XVII - senão mais tardia ainda - indicando que a igreja foi completamente remodelada nessa altura, mantendo embora características do tipo mais antigo: a torre, a localização das janelas, a abóbada de berço da capela‐mor. É possível que destas obras tenha resultado o desaparecimento de um eventual falso transepto original. Também no século XIX, provavelmente na segunda metade, houve obras extensas na igreja: datarão dessa época o redesenho da aguda empena da fachada principal com uma moldura ogival decorativa e uma linha do céu ondulante, o altar principal de desenho gótico, as galerias de madeira que correm ao longo das paredes à altura das janelas e o pavimento cerâmico - que incorpora sepulturas datadas da década de 1880.

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