Casa Miranda

Casa Miranda

Revora, Goa, Índia

Habitação

A casa dos Miranda, no interior norte do Estado de Goa, tem uma escala pouco habitual. Assumindo a forma de uma alta torre rematada por ameias, o bal‐ cão da casa por um lado indicia uma construção dos finais do século XIX e por outro acentua um clima de irrealidade, ao despontar tão improvavelmente numa paisagem de palmeiras. O carácter surrealista volta a transparecer nas colunas das varandas, que se desenvolvem ao longo das fachadas a partir do torreão de entrada. Pintadas numa forte cor ocre, estas colunas apresentam um desenho de bolbo vegetalista com claras afinidades aos templos hindus. A flutuação entre referências europeias góticas e temas hindus reforça‐se nas bandeiras das portas das varandas, com pequenos óculos com vidros de cores. Contrariamente ao seu aspecto exterior, a casa apresenta um programa e uma estrutura de interiores típicos da tipologia de casa de pátio indo‐portuguesa. A grandiosidade de projeto determinou um programa de dois pátios distintos, o primeiro organizando a zona nobre da casa e o segundo as zonas de serviços e criados. No pátio principal, as grandes colunas desenham‐se com uma inspiração clássica de desenho coríntio. A formação de uma galeria completamente aberta sobre este pátio acentua uma ambiência de tradição hindu que se observa em vários pormenores da arquitetura. Numa sequência de aproximações e afastamentos às tradições autóctones, a estrutura de interiores não apresenta nenhum compartimento com a função do vasary. A casa de jantar aparece com a forma europeia mais retangular, sem ocupar a posição de transição e pivot entre as zonas reservadas aos senhores da casa e as zonas de serviços e dos criados, como acontece na tradição hindu. Embora desprovida de mobiliário e com dependências em clara ruína, os tetos e as portas dos salões apresentam decorações em talha baixa atestando a qualidade da marcenaria, mais evidente nas portas dos armários embutidos da casa de jantar, com os desenhos da talha a desenvolverem‐se em folhagens de ramos e flores, onde influências indianas e portuguesas se misturam ainda com uma influência chinesa, aparente de forma mais nítida no mobiliário do século XVIII e XIX.

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