Arquitetura Religiosa

Arquitetura Religiosa

Vasai Fort (Baçaim/Baçaím/Bassaim/Bassein), Maharashtra, Índia

Arquitetura religiosa

Subsistem no perímetro muralhado de Baçaim as ruínas identificadas de cinco conjuntos conventuais com as respectivas igrejas (agostinhos, dominicanos, franciscanos, hospitaleiros, jesuítas) e de duas outras igrejas: a Matriz de São José a nascente do perímetro e, encostada ao forte original no centro da povoação, provavelmente a antiga Igreja da Misericórdia. Baçaim foi a mais importante cidade portuguesa na Índia depois de Goa e a par de Cochim. Não admira, portanto, que seja bastante variada a arquitetura religiosa lá construída durante os duzentos anos em que foi dominada pelo clero e pelos proprietários católicos portugueses e indianos, entre a década de 1530 e a de 1730. A catástrofe de 1619 poderá ter produzido estragos de vulto nos templos da cidade. Todavia, apesar das crónicas e do texto de Manuel de Faria e Sousa, a documentação até agora publicada relativamente às casas jesuíta e franciscana e à matriz não testemunha quaisquer obras de vulto nessa época. Não houve em Baçaim um tipo dominante de igreja paroquial ou conventual, embora a maioria dos edifícios, como sucedeu por toda a Índia católica, fosse de nave única coberta por abóbada de berço, ou mais frequentemente por telhado, e capela ‑mor abobadada com caixotões. A igreja dos jesuítas era certamente abobadada e é provável que também o fosse a dos franciscanos, tanto mais que era uma igreja muito sofisticada, apresentando capelas laterais intercomunicantes, o que era raro na Índia. As igrejas dos jesuítas e franciscanos tinham camarins do Santíssimo adossados ao tardoz da capela ‑mor, com a qual comunicavam através de um arco em posição elevada, traço tipológico mais vulgar na arquitetura portuguesa do que se pensa. Não foi construída em Baçaim uma única fachada frontal flanqueada de torres, mas não admira porque este tipo só se divulgou no final do século XVII, e ao princípio apenas em Goa, quase cem anos depois de ter sido erguida a primeira igreja conventual com torres à fachada - a dos agostinhos no Monte Santo em Velha Goa. Assinala ‑se que Pedro Barreto Resende, na representação de Baçaim anexa ao relatório de António Bocarro de cerca de 1635, desenhou com torres a fachada da igreja dos agostinhos desta cidade, a única que representou assim, mas a igreja cujas ruínas hoje vemos não tem torres à fachada nem se afigura que as pudesse ter tido. A torre aparece em Baçaim ao flanco da capela‑ ‑mor, com exceção da matriz, que apresenta um corpo frontal de nártex sob torre: é o caso dos jesuítas, dos franciscanos e dos dominicanos. Os melhores claustros conventuais de Baçaim tinham dois pisos com arcaria contínua sustentada por colunas, a julgar pelos dos jesuítas e franciscanos, mais bem conservados. O convento dos dominicanos foi o de maiores dimensões da cidade, iniciado em 1564, está hoje em estado muito avançado de degradação. Recorde‑se que também a igreja dominicana de Damão era maior que as restantes da povoação e que o conjunto dominicano de Velha Goa foi o maior da cidade até ao final do século XVI, altura em que os agostinhos construíram o seu enorme complexo no Monte Santo. As ruínas do convento dominicano de Baçaim situam‑se sobre o largo principal da cidade, para onde davam a Casa da Câmara, a Casa do General do Norte e a Misericórdia. É notável a loggia arqueada que ainda se pode ver no topo de um corpo construído de grande altura, talvez o dormitório conventual.

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