Casa Piedade Costa

Casa Piedade Costa

Majorda, Goa, Índia

Habitação

A unidade dos vários edifícios que constituem este conjunto arquitetónico faz da Casa dos Piedade Costa um dos mais interessantes exemplos de arquitetura de tradição chã em Goa. Com um vasto terreiro rodeado de palmeiras e marcado ao centro por um monumental cruzeiro de desenho seiscentista, a casa recorta‐se, ao fundo, ladeada por uma capela de linhas igualmente clássicas. Com um programa arquitetónico retangular em dois andares e piso nobre marcado por uma sequência de janelas de sacada, a fachada é ladeada apenas por duas grandes pilastras, cuja sobriedade e contenção formal acusam clara referência a uma estética chã que remonta ao século XVII. De tradição seiscentista é igualmente o portal de entrada, que se abre sobre um pátio lateral murado constituindo um espaço intermédio e de descontinuidade entre o exterior e interior, onde as senhoras da casa, em Portugal, desciam das liteiras e em Goa, das machilas, sem serem vistas do exterior. No caso dos Piedade Costa, este pátio permite uma ligação interior e privativa da casa com a capela. De grandes proporções para uma habitação, a capela, de invocação a Nossa Senhora da Piedade, apresenta um programa de fachada com duas torres simétricas ladeando um corpo central rematado por frontão contracurvado que, embora acusando um restauro em época posterior, não altera a composição do conjunto. O interior da capela, com ampla nave coberta por abóbada de berço com caixotões, revela, pela erudição do desenho arquitetónico, um cuidado e uma qualidade exemplares para uma capela particular. A sacristia guarda um altar de linhas seiscentistas que parece ter sido o antigo altar principal da capela. Entre a capela e o cruzeiro, recorta‐se ainda um grande poço para abastecimento de água a toda a casa. Mas o aspecto mais interessante desta casa é, talvez, a autonomia do corpo senhorial em relação aos corpos destinados aos criados e serviços. Embora o corpo principal se estruture em dois andares de tradição europeia, as regras indianas, que impossibilitavam os servos de castas mais baixas de entrar nos interiores das casas dos senhores, obrigam à constituição destas duas alas em piso térreo onde os limites são rigorosamente definidos. Embora com uma aparência exterior de tradição portuguesa, a vivência dos interiores mantém‐se na mais pura tradição hindu. Ao nível do primeiro andar o salão reserva‐se para momentos especiais, na função do sadery, sendo no piso térreo que se concentra o dia‐a‐dia da casa.

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