Forte

Forte

Tarout [Tarut], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Arábia Saudita

Arquitetura militar

Situada muito próxima da costa, junto à cidade portuária de Catifa (AlQatif), à qual desde sempre esteve historicamente ligada, a pequena Ilha de Tarut possuía uma localização estratégica nas rotas comerciais que cruzavam o Golfo Pérsico, em particular as que estabeleciam a ligação com Baçorá e o Barém. A cidade histórica de Tarut está localizada no coração da ilha, numa elevação pouco pronunciada, onde subsistem as estruturas de uma fortificação cujas origens e época de fundação estão ainda por determinar. As leituras correntes, meras referências não sustentadas em informação documental ou arqueológica, atribuem a sua construção ora a tribos locais, no contexto das revoltas que eclodem em inícios dos anos 20 do século XVI contra o reino de Ormuz, ora a portugueses ou turcos, no quadro da disputa que estes protagonizaram pelo domínio do Golfo em meados desta mesma centúria.
O interesse português no local derivaria, para lá das questões comerciais, do papel que este tinha na geografia militar da região, em particular após Baçorá ter caído em poder dos turcos e das investidas que estes fizeram, na década de 50 do século XVI, para controlar o Golfo Pérsico. Foi neste contexto que conquistam Catifa, em 1551, e se verificou a reacção portuguesa, no ano seguinte, numa jornada que envolveu a intervenção de "sete galeões e doze navios de remo", com 1.200 homens (Couto, 1781, p. 246). O seu desfecho, para lá de uma vitória que custou um elevado número de mortos, ficou associado a uma decisão extrema: dada a incapacidade do guazil local em assegurar a defesa da fortaleza, esta foi minada com explosivos e arrasada, impedindo deste modo que "os inimigos a tornassem a senhorear" (Couto, 1781, p. 329).
O Forte de Tarut é, com toda a probabilidade, posterior a esta situação histórica. Na ausência aparente de documentação histórica que clarifique a sua origem e datação, as respostas poderão vir a ser dadas, sobretudo, com o concurso da arqueologia e de estudos de natureza arquitetónica do edifício.
Fundado sobre estruturas anteriores, certamente castrejas, o Forte de Tarut é de pequenas dimensões, com as muralhas a acompanhar e a tirar partido da topografia da colina, muito ligeira, em que se implanta. Conserva três dos quatro torreões de ângulo que possuía originalmente, com um deles a posicionar-se num plano relativamente avançado em relação aos restantes, desenhando um trapézio irregular. Cilíndricos e com maior diâmetro na base, são corpos pesados e robustos, de alvenaria de pedra, que se destacam da superfície das muralhas e reforçam a visão compacta que o conjunto oferece.
No recinto interior não são perceptíveis registos de antigas construções, que naturalmente existiram, como os aposentos da soldadesca, a casa do capitão da praça, os armazéns, as estrebarias, etc. Uma nascente de água, que certamente favoreceu a fortificação do local e continua a ser concorrida, a par da existência de um hammam feminino (o acesso à fortaleza é vedado aos homens), são os elementos que animam, nos dias de hoje, a utilização intramuros do velho forte.

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