Fortaleza de São Miguel

Fortaleza de São Miguel

Suqutrah [Socotorá, Socotra], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Iémen

Arquitetura militar

No âmbito da política imperial de D. Manuel, o controlo das atividades comerciais e do trânsito naval no estreito do Mar Vermelho era um objetivo vital, que passava pela conquista de um local que garantisse a presença contínua de forças portuguesas na região. É nesse contexto que se enquadra a ordem dada pelo monarca aos comandantes das duas armadas que em 1506 demandaram os mares da Arábia, Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque, para ocuparem e fortificarem a Ilha de Socotorá. A conquista consumou se em inícios de maio de 1507, após forte resistência das forças do reino vizinho de Fartaque, que se tinham apoderado do local alguns anos antes. Em 1511, as dificuldades de abastecimento e manutenção da ilha e a percepção de que a sua posse não correspondera aos fins em vista ditaram o seu abandono e o arrasamento das posições entretanto adquiridas. Durante o curto período da presença portuguesa, a mesquita local foi convertida em igreja, sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória, ocupou-se e refez-se a fortaleza fartaqui e terá sido construído um pequeno forte.
Situada em ponto sobranceiro a um dos poucos surgidouros bonançosos e profundos da ilha, a fortaleza fartaqui foi conquistada sem recorrer, como estava previsto, ao "castelo de madeira" levado de Lisboa, que serviria de escudo ao desembarque e, nas palavras do rei Venturoso, "para mais facilmente poder lavrar uma fortaleza que na ilha mandavamos fazer". Subsiste a dúvida, no entanto, que a documentação da época não esclarece, se a fortaleza manuelina foi construída de raiz, como refere Afonso de Albuquerque (informa que mandou fazer uma fortaleza de pedra e cal, que baptizou de São Miguel), ou se houve um reaproveitamento da fortificação fartaqui, como aludem, nomeadamente, João de Barros (assinala a reconstrução de muros, torres e portas) e Damião de Góis (afirma que foi feita quase toda de novo). As intervenções arqueológicas já realizadas e o estudo do conjunto das ruínas remanescentes introduziram novos dados nesta questão. Foram identificadas as estruturas de duas fortificações, uma a meia encosta, que parece corresponder à construção fartaqui e terá sido reaproveitada após a conquista para servir de atalaia, e uma outra, junto à praia, provavelmente portuguesa, de planta quadrangular, com torreões circulares nos ângulos, formalmente semelhante a muitos outros edifícios do género que se ergueram, na época, no Estado da Índia.

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