Fortaleza

Fortaleza

Sohar [Soar, Suhar], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

Por ter sido construída numa planície que dá sobre um extenso areal, Sohar não servia como principal porto para as naus portuguesas, que eram navios de grande calado, os maiores de então. Para além de não abrigar as naus dos ventos, o areal não permitia um fácil movimento de homens e mercadorias. A cidade não deixou contudo de ser importante; prova disso é a preocupação da coroa portuguesa em a conservar e fortificar, notícia que nos é dada através do levantamento feito no Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental por Pedro de Barreto de Resende/António Bocarro, que nos informa: "A fortaleza de Soar está sita pella costa adiante da Arabia em altura de vinte e quatro graos e meio da banda do Norte". A fortaleza apresentava a forma de um quadrado perfeito, com quatro baluartes nos cantos, com seus "traveses" e bombardas, "que se defendem huns aos outros cada quartina de muro será de setenta paços fora o âmbito dos mesmos baluartes que sam também coadrados cada hum do tamanho de hua caza de dez paços andantes de vão o muro he de adobes cozidos e barro comq fica bastantemente forte". Dentro do forte haveria alguns poços de água doce e casas para a guarnição, sendo que um dos baluartes funcionava como um armazém "por longo de hua das cortinas de muro entrando pella porta a mão direita q serve de recolher mantimentos p.a soldados, tem mais as cortinas dos muros hum modo da defença que os Parceos chamam Bugios que são hus escudos de ado bes armados sobre paos de banda de fora e abertos p.a o rosto que olhar a raiz do muro". Do lado de fora, a fortaleza, com seis peças de artilharia repartidas pelos baluartes, tinha uma barbacã quadrada, com as dimensões correspondentes à fortaleza com os baluartes, no interior da qual se construiu uma igreja, com espaço para agasalhar entre cinquenta a sessenta pessoas, que era dirigida por um frade agostinho. Prova da importância da fortaleza é ter sido recuperada aos persas por uma campanha do capitão geral do Mar Roxo, Rui Freire de Andrade, em 1623, como se refere nos Comentários de Rui Freire, ou, segundo António Bocarro, em 1616, por uma armada de uma galé e cinco fustas de D. Francisco Rolim, que viera de Muscate com a ajuda da armada de D. Vasco da Gama, capitão da armada do Estreito, que trazia debaixo do seu comando cinco navios. Seja por D. Francisco Rolim em 1616 ou Rui Freire de Andrade em 1623, a recuperação da fortaleza seguese à ocupação persa que se dera em 1602, depois da queda do Forte do Barém, tomado pelo xá Abbas I da dinastia Salavid, porque esta ocupação provocava grande dano às alfândegas de Ormuz e Muscate. Hoje, através da imagem por satélite de imediato se consta tam três realidades: desapareceu a fortaleza interior, a barbacã construída pelos portugueses e representada por Barreto de Resende/Bocarro é um retângulo cujo lado menor é o que fica paralelo à praia e não o inverso; e a couraça até ao mar desapareceu também. Às cinco primitivas torres redondas somase mais uma, do lado oriental, e no ângulo de ligeira inflexão da muralha, junto à torre central no lado ocidental da muralha, nas ceu um torreão quadrangular tipo donjão. A imagem de satélite também permite detetar ainda vestígios da parte posterior da fortaleza interna. De acordo com as imagens do Ministry of National Heritage and Culture, a muralha junto ao donjão recebeu uns contrafortes em trabalhos de consolidação posteriores a 1982. À semelhança do Forte de Qurayat, também a Forta leza de Sohar é toda ela caiada. Também a envolvente foi alterada ao longo das duas últimas décadas, tendo desaparecido o bairro de "palhotas" que existia na cer cania e decerto se assemelhava aos tempos de Albu querque ou Gomes de Andrade, mantendose no entanto a intensa mancha verde de palmares já repre sentada por Barreto de Resende/Bocarro. A porta principal do forte, recolhida no lado da muralha que avista o mar, mantém a mesma estrutura, ou seja, está anexa a uma construção. A fortaleza tem aproximadamente 75 x 135 x 80 x 132 metros, contados a partir da muralha fronteira ao mar e no sentido dos ponteiros do relógio. Em 1643, Sohar caiu definitivamente nas mãos do inimigo, ao ser conquistada pelo imã Nassir ibn Murshid; nessa ocasião, naturalmente, perdeu-se também a igreja que os agostinhos tinham na cidade. O forte fica situado na costa dita de Batinah, e foi restaurado em 1985.

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