Forte

Forte

Ras al-Khaimah [Julfar, Julufar, al Matãf], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Emiratos Árabes Unidos

Arquitetura militar

Data do ano de 1623 a iniciativa de criar uma feitoria em Julfar e ocupar a fortaleza existente no local. A defesa dos interesses comerciais, que estavam em risco, e a criação de uma base de apoio à reconquista de Ormuz determinaram essa dupla decisão. Para o efeito, sob a direção de Rui Freire de Andrade, procedeu se ao reforço das muralhas da fortificação, instalou-se artilharia e criou-se uma guarnição de cinquenta soldados portugueses, comandados pelo sobrinho do rei de Ormuz, Gulam Edin. De acordo com o tratado de 1629, persas e portugueses podiam construir fortificações e estabelecer guarnições próprias em Julfar, o que de facto se verificou. No caso português, mais não seria do que o reconhecimento da situação existente desde 1623, embora seja corrente referir-se a construção de uma fortaleza no ano de 1631. As fontes da época não esclarecem, porém, se esta foi levantada de raiz ou se continuou a ocupar a estrutura que se reformara anteriormente. É provável, não obstante, por economia de meios e pelo posicionamento estratégico que possuía na embocadura arenosa do porto, que se tenha procedido à reconstrução e abaluartamento da antiga fortificação existente no local. Assim sendo, as suas estruturas deverão corresponder às ruínas identificadas pelo arqueólogo Hansman, junto à praia da antiga cidade. Antecedida por um fosso em três das suas frentes, a fortaleza possuía planta trapezoidal, muralhas de alvenaria de pedra e barro com cerca de sessenta metros na sua maior extensão e quatro baluartes nos ângulos, dimensões e configuração que a aproximam de outras erguidas na época na zona do Golfo; embora Hansman (1985) reconheça que esta estrutura fortificada, pelas suas características, terá sido reconstruída sob a direção de portugueses após 1621, sugere a existência de uma outra fortaleza, construída de raiz, da qual diz desconhecer a localização.

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