Forte

Forte

Batticaloa [Batecalou], Província Oriental, Sri Lanka

Arquitetura militar

Batticaloa é uma cidade situada numa ilha interior em torno de uma vasta lagoa do litoral oriental do Sri Lanka. Conserva‐se hoje, na ponta oriental da ilha central da cidade, uma fortaleza geralmente atribuída ao período holandês (1638‐1796). Esta estrutura remonta ao período português, desconhecendo‐se ainda a extensão exata das transformações operadas no período posterior. As primeiras navegações portuguesas pela face oriental da ilha encontram‐se documentadas a partir da década de 1540. A região beneficiou de larga autonomia política durante todo o século XVI, integrando o chamado "reino de Batecalou", mas entrando progressivamente na esfera de influência do reino de Kandy. Este, situado no centro da ilha, resistia às pressões portuguesas e comunicava com o exterior através de Batticaloa e Trincomalee. Por isso se deram repetidas ordens em Lisboa, desde finais da década de 1610, no sentido de fortificação de ambos os lugares. A ideia foi posta em prática, no caso de Batticaloa, por Constantino de Sá de Noronha em 1628. O lugar escolhido foi considerado infeliz pela sua distância ao mar aberto, levando as autoridades portuguesas a ponderar durante a década seguinte uma reconstrução noutro local mais seguro. A fortaleza portuguesa demorou dois anos a construir na sua forma original. Era conhecida como Fortaleza de Nossa Senhora da Penha de França, e aparece completa num desenho do Códice de Saragoça, de 1638, da autoria de Constantino de Sá de Miranda. Teria nessa época três baluartes, sendo o quarto canto, situado a nordeste, destituído de tal estrutura. O lugar da atual fortaleza corresponde ao local da fortaleza portuguesa e a sua planta é um paralelogramo próximo do retangulo, correspondendo de forma grosseira ao que aparece no desenho português de 1638. No entanto, algumas fontes holandesas mencionam que o rei de Kandy teria mandado desmantelar a estrutura portuguesa após a sua captura pela Companhia Holandesa das Índias Orientais e antes que esta decidisse estabelecer aqui um posto de controlo. O mais plausível é que a eventual demolição tenha deixado reaproveitáveis partes da estrutura portuguesa. As fontes escritas e iconográficas não esclarecem a extensão exata das obras holandesas, deixando assim em aberto a possibilidade de existirem ou não elementos portugueses visíveis nas estruturas atuais.

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