Forte

Forte

Khasab [Caçapo, Cassapo], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

O facto de Caçapo não se encontrar representado no conjunto das fontes iconográficas seiscentistas das praças portuguesas do Estado da Índia Oriental, nomeadamente nos livros de António Bocarro e de Manuel Godinho de Erédia, e ser relativamente tardia e lacónica a documentação histórica que se lhe refere, explica, porventura, a circunstância de ser frequentemente ignorado ou menorizado no contexto da fortificação portuguesa do litoral de Omã. Tem justificado, por outro lado, que se aponte os últimos anos da década de 30 do século XVII como data provável de início da fortificação do local.
A realidade histórica aponta, no entanto, noutro sentido. Quando Rui Freire de Andrade se apoderou de Caçapo em 1624, encontrou o lugar despovoado e desamparada a fortaleza que o defendia. A questão que se coloca prende-se com a época em que esta terá sido fundada e de que tipo de fortificação se trataria. Esta dúvida estende-se, aliás, a outras praças das costas omanitas e arábicas, que, na sequência da perda de Ormuz, em 1622, e das revoltas contra o domínio português na região foram objeto de reformas mais ou menos profundas nas estruturas fortificadas preexistentes.
No caso de Caçapo, o plano de ação posto em prática passou por atrair os moradores que se haviam refugiado nas montanhas, criar uma guarnição militar, recrutando, como era corrente, soldados entre a população local, e reformar a arruinada fortaleza. Em relação a esta, sabe-se que foi reparada e que se introduziram acrescentos, utilizando-se para o efeito "barro e adobes por não haver cal em toda aquela costa" (Leite, 1940, p. 248). Quanto à sua estrutura, os vestígios, que se encontram integrados na construção abaluartada que lhe sucedeu, em particular um possante torreão cilíndrico que passou a servir de atalaia, e um outro no centro daquela, sustentam a hipótese de se ter tratado de um pequeno forte ou feitoria fortificada, com planta quadrangular ou triangular, de barro e adobe, formalmente semelhante a outros da época quinhentista que se levantaram no Estado da Índia.

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