Forte

Forte

Jabrin, Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

Nas faldas da montanha Jabal Akdhar, a pouco menos de duzentos quilómetros de Mascate, a uns quarenta de Nizwa ou vinte de Bahla, ergue‐se o Forte de Jabrin, que foi construído em 1675 pelo imã Bil’Arub bin Sultan al‐Yaruubi para sua residência de verão, achando‐se aí também a sua sepultura. Às portas da grande estepe que espreita o deserto da planície central da península arábica, o Forte de Jabrin é um imponente edifício, formado originalmente por uma construção retangular de 43 x 22 metros, com dois torreões redondos nos cantos opostos do retângulo. Massa compacta, o edifício abre‐se sobre os dois pátios interiores, para onde espreitam os varandins e janelões dos compartimentos. O corpo sudoeste, assim como a respectiva torre, tem três pisos, enquanto o conjunto a nordeste possui quatro pisos. Para além de residência e sepultura do imã, o Forte de Jabrin alojou uma escola corânica e uma biblioteca. Posteriormente à construção, o edifício foi enriquecido com uma muralha levantada defronte da fachada noroeste, o que ditou a existência de um pátio exterior sobre a entrada principal.
No início da década de 80 do século passado, este forte estava muito arruinado, pelo que foi alvo de profundo restauro levado a cabo pelo Department of Forts and Castles do Ministry of National Heritage and Culture, do Sultanato de Oman. Os trabalhos, concluídos em 1983, incluíram não apenas a recuperação da estrutura e a sua adaptação a museu mas também o restauro das pinturas dos variados tetos, que dispõem de decorações com motivos florais e geométricos. Os principais salões têm elevado pé‐direito e dispõem de nichos em redor das paredes estucadas, ao estilo local. Tradicionalmente os pavimentos deveriam ser cobertos com tapetes orientais, essencialmente provenientes da vizinha Pérsia, e decorados com algumas arcas de pregos que, de acordo com Maria Helena Mendes Pinto, indicam uma influência portuguesa no mobiliário local. Para os portugueses, o interesse deste forte não está na sua arquitetura, pese embora que possa ter recebido alguma influência da arquitetura militar que os portugueses - entretanto expulsos - haviam construído ao longo da costa, mas num conjunto de desenhos grafitados existentes num dos seus torreões. A cidade de Mascate caiu a 26 de janeiro de 1650 depois da rendição do capitão, D. Francisco de Távora, que entretanto se havia refugiado no Forte Jalali. Entre as várias tentativas feitas para retomar a cidade conta‐se a de António de Sousa Coutinho, em 1652, que não foi coroada de sucesso. Outras houve ainda para que se recuperasse a cidade e as suas fortalezas, nomeadamente em 1666-1667, com o vicerei conde de São Vicente, e em 1697 com António de Menezes, onde há notícia de um combate naval. Nestes confrontos é natural que tenham sido feitos também prisioneiros, os presumíveis autores dos desenhos de Jabrin. Num dos torreões do Forte de Jabrin, que serviria de prisão ao tempo, vamos encontrar dois conjuntos de pinturas representando navios veleiros. De acordo com o parecer da Comissão Técnica Consultiva do Museu da Marinha de Lisboa, emitido em 1985, estes desenhos representam navios ocidentais do século XVII, visto apresentarem velas redondas no mastro da mezena e sobrecevadeira à proa. Encontra-se uma representação semelhante no Baluarte de São Mateus do Forte de Jesus em Mombaça, possivelmente executada por portugueses durante o longo cerco que os mesmos omanitas puseram à fortaleza portuguesa da costa oriental de África entre 1698 e 1699, concorrendo desta forma para a tese de que efectivamente se tratam de desenhos portugueses, tanto mais que é reconhecido o desinteresse dos árabes pela representação figurativa e o rigor da representação dos navios pressupor terem sido executados por alguém que neles tenha viajado.

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