Forte dos Reis Magos

Forte dos Reis Magos

Tidore, Maluku do Norte, Indonésia

Arquitetura militar

A construção do forte português na Ilha de Tidore foi iniciada em 6 de janeiro de 1578, dia de Reis Magos, de cuja invocação tomou nome, por Sancho de Vasconcelos, capitão do Forte de Amboino, e pelos quarenta portugueses que o acompanharam desde Amboino expressamente para o efeito, correspondendo a uma solicitação do sultão local feita na sequência da expulsão dos portugueses do Forte de Ternate, três anos antes.
Segundo Francisco de Sousa, a obra, concluída por Diogo de Azambuja (1578‐1582), constituía um exemplo do "pouco cuidado", ou da "muita negligência, com que os Portuguezes naquelle tempo tratavaõ de se fortificar", pois o "forte era de pedra em soço, quadrado, de trinta braças por lado, com dous baluartes em dous cantos, obra muy fraca, & que facilmente se podia tomar".
O Forte dos Reis Magos estava situado na costa leste de Tidore, um quarto de légua a norte de Soasio, residência do sultão, e a dois tiros de peça da ponta de Socanora. Foi destruído pelo rebentamento do paiol da pólvora, em maio de 1605, durante o cerco holandês, tendo os seus defensores, comandados pelo capitão Pedro Álvares de Abreu (1602‐1605), sido obrigados a render‐se. A povoação portuguesa foi pilhada e incendiada, tendo ardido as casas construídas em material perecível, enquanto os cerca de quatrocentos habitantes eram autorizados a partir.
Reconquistado pelos espanhóis em 1606, sofreu repetidos ataques desferidos pelas armadas de Cornelius Matelieff de Jonge, em maio de 1607, e de Paulus van Caerden, em junho de 1608. Os espanhóis começaram a sua reconstrução em 1609, por mão do governador de Maluco, Lucas de Vergara Gabiria (1609‐1610). Chamaram‐lhe fortaleza portuguesa e, ao que parece, também Marieco de los Portugueses, designação que não deve ser confundida com a Marieco propriamente dita, ou Marieco el Grande, situada na costa ocidental da mesma Ilha de Tidore, ambas tomadas pelos holandeses em 1613.
Nesse intervalo, os trabalhos de reconstrução do antigo forte português de Tidore levados a cabo pelos espanhóis avançaram muito lentamente, já que, em 1610, Cristóbal de Azcueta Menchaca (1610‐1612), governador de Maluco, afirmava que continuava em ruínas, tendo então tomado a decisão de acelerar a sua reconstrução por estar situado no melhor porto de Tidore. Guarneceu‐o com dezasseis soldados e três peças de artilharia (doze soldados e dois canhões, segundo as fontes holandesas). Deve ter ficado bastante danificado nesses ataques, pois o próprio sultão de Tidore, cachil Mole (1599‐1627), aconselhou o novo governador espanhol, Jerónimo de Silva (1611‐1617), a desmantelar as suas ruínas para que os holandeses se não pudessem aproveitar delas, como efetivamente viria a suceder.
O navegador inglês John Saris, que, em abril de 1613, fundeou defronte do velho forte português, descreveu‐o como uma mera bateria de oito canhões. Silva manteve este forte, ou o que restava dele, guarnecido com cinquenta soldados, escolhidos entre os melhores combatentes espanhóis que havia em Maluco, os quais pereceram quando oitocentos holandeses e doze navios da armada do almirante Pietr Botha a tomaram de assalto em 9 de julho desse ano. Depois de conquistado pelos holandeses, o velho forte português foi dado como tendo sido desmantelado e abandonado.
No entanto, de acordo com a descrição que dele fez, em 1617, um anónimo português, teria sido, pelo contrário, totalmente reabilitado e dotado de "três baluartes fechados com dezassete peças de artelharia entre as quaes tem huma muito grossa a que nos chamamos o Raymundo. Em guarda della tem de ordinario sessenta homens e he huma das mais fortes que elles tem. A roda dellas tem huma estacada de madeira, e da banda de dentro della estan as casas dos indios e gente de serviço". Subsiste, no entanto, a possibilidade de um equívoco, uma vez que o panorama das fortificações europeias na ilha de Tidore é assaz confuso, além de que, por um processo de recomposição da memória coletiva, a tradição nas Ilhas Molucas - e não apenas em Tidore - atribui aos portugueses todas as fortificações cuja origem se perdeu.

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