Fortaleza

Fortaleza

Birka [Borca], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

De Birka nos fala António Bocarro quando refere que quem seguir a navegação junto à costa, a doze léguas de Mascate encontra a fortaleza portuguesa denominada Borca; depois acrescenta: "também situada em esta costa brava do mesmo talho que a de Sibo, em triângulo com três baluartes dos quais um é mais eminente". O autor explica que o porto era o mais frequentado de todos os arábios e das principais cidades de Arábia e informa que tinha capitão português, com o mesmo número que Sibo apresentava, ou seja, oito portugueses e trinta lascarins, que a vigiavam e defendiam. Segundo Bocarro, "ela era feita de adobes como são as mais das fortificações de Arábia tomou-a o Capitão Geral Rui Freire de Andrade [...] Tem este porto de Borca pelo lado do mar uns ilhéus que chamam de Suany abrigo próprio para pescadores". Rui Freire de Andrade aí teria criado feitoria, no ano de 1624. Os fortes de Seeb e Birka aparecem representados por Barreto de Resende/António Bocarro de forma muito idêntica: um triângulo com um lado paralelo ao mar sobre o qual fica a porta, com baluartes poligonais nos vértices. A costa é plana e arenosa, no que coincide com a realidade. No interior havia umas quantas casas dispersas, que pela cor parda se infere serem de palha, e umas construções aninhadas sobre o baluarte oriental que dava sobre a praia. De acordo com a imagem de satélite, que a presencial se dissipou com o correr de duas décadas, o Forte de Birka é hoje uma complexa estrutura que grosso modo se pode inscrever num quadrilátero irregular com cerca de quarenta metros de largo e de onde emergem cinco torres - uma hexagonal, ao jeito de donjão, três redondas e possantes e uma última quadrangular, adossada à muralha. Neste com plexo notam-se múltiplas esplanadas em diferentes níveis. O forte mantém a sua posição primitiva, que é de atalaia ao areal da costa, retilíneo e baixo. Descobrir a estrutura portuguesa no complexo, o triângulo de Barreto de Resende/Bocarro, é trabalho difícil. Imagina-se que o aludido triângulo com baluartes nos vértices e aresta paralela à praia possa ser o conjunto da torre quadrangular e circular mais próximas do mar, sendo que o terceiro vértice estará agora inserido na estrutura, tal como a torre de D. João II na cidadela em Cascais. O forte foi recuperado com intervenção do Department of Forts and Castles do Ministry of National Heritage and Culture, entre 1983 e 1985.

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