Fortaleza

Fortaleza

al-Bidyah/Libedia, Libidia, Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Emiratos Árabes Unidos

Arquitetura militar

Construída de raiz ou reaproveitando estruturas preexistentes, a Fortaleza de Libedia, pelas suas características e dimensões, apresenta-se aparentemente sobredimensionada para o local e a função militar que lhe estaria confiada. Embora as fontes não o esclareçam, é provável, face à conjuntura da época, que lhe tivesse sido destinada a missão, que nunca terá cumprido, de servir de base militar ao controlo da região, de guarda avançada de Mascate e de apoio à reconquista da cidade de Ormuz.
Libedia apresentava, de facto, uma estrutura fortificada mais evoluída que as praças vizinhas, possuindo "hum grande sircuito de muralhas", relativamente baixas, com cerca de "duas braças e mea" de altura, nas palavras de Bocarro, com seis baluartes poligonais, quatro nos ângulos e dois a meio das cortinas. Definindo uma estrutura alongada, retangular, os muros foram levantados em alvenaria de pedra, aproveitando-se, para esse efeito, as pedras de uma antiga construção fortificada do terceiro milénio a.C., existente nas imediações. Não dispondo de adarve adaptado a artilharia, as peças dispunham-se no nível térreo da praça, fazendo fogo por troneiras baixas que se abriam, de forma ritmada, em todo o perímetro das muralhas. Dada a pouca altura das muralhas, um dos baluartes, virado à praia, foi erguido com maiores dimensões, servindo de cavaleiro na defesa da praça e de reduto onde se concentrava a maior capacidade de tiro (esta solução construtiva encontrase presente noutras fortalezas erguidas na mesma época na costa omanita). A sua estrutura inscreviase numa plata forma murada que delimitava um pequeno castelejo, edifício torreado com três corpos destinado a morada do capitão da fortaleza. A meio da muralha que unia os dois baluartes da praia abria-se um portal, virado à baía e ao pequeno porto. No interior da fortaleza, o casario, disperso, não era significativo. A guarnição permanente era em pequeno número (vinte soldados) e boa parte das construções estaria destinada a servir de armazéns de apoio ao comércio marítimo. Dois poços, uma cisterna e uma pequena igreja completa vam o conjunto edificado.
As fontes históricas conhecidas são lacónicas quanto ao processo construtivo da fortaleza. Ignora-se quem traçou o projeto, quem dirigiu as obras e como estas se desenrolaram. Não é clara, igualmente, a função e a época construtiva das duas torres que se levantavam junto da pequena vila, que figuram em várias representações da época, os "baluartes em redondo da povoação", como se lhes refere Bocarro. É provável, no entanto, que sejam anteriores à fortaleza, ainda de época manuelina ou pouco posterior.
Em 1999, trabalhos arqueológicos deram a conhecer uma pequena parte das estruturas subterradas da antiga fortaleza portuguesa.

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