Fortaleza de São João

Fortaleza de São João

El Ma’moura [Mamora], Norte de África, Marrocos

Arquitetura militar

Conhecidos e frequentados desde cedo por pescadores e comerciantes, sobretudo algarvios, o trecho costeiro de Mamora e a foz do Rio Sebou despertaram o interesse da coroa portuguesa, que procurou, através da sua ocupação, em 1515, garantir uma posição intermédia entre as praças setentrionais e meridionais marroquinas e promover, de modo mais eficaz, a guerra ao reino de Fez. A operação envolveu mais de 8.000 homens, reunindo gente de guerra e de mar, artífices e colonos destinados à nova fortaleza, que começou a ser construída poucos dias depois do desembarque, ocorrido a 23 de junho de 1515.
A ocupação de Mamora foi muito curta e de má memória. Em finais de julho, as tropas do vice‐rei de Mecknés bloquearam a barra do rio e ocuparam o morro sobranceiro à fortaleza em construção, obrigando as forças portuguesas a retirar‐se, em 10 de agosto de 1515, de forma apressada e desorganizada. A perda de cerca de 4.000 homens e parte da armada da expedição foi um duro revés na política manuelina, simbolizando o fim do ciclo de conquistas e o início do declínio da presença portuguesa no Norte de África.
A escolha do local para fundar a fortaleza não reuniu unanimidade de pareceres. Contrariando as indicações da missão preparatória levada a cabo no ano anterior por Estevão Rodrigues Berrio e João Rodrigues e a opinião de Diogo de Medina, o arquiteto Boytac, que dirigia a construção, optou por fundá‐la longe da foz do rio e numa zona de sapal, no sopé de uma elevação. As operações iniciaram‐se com a montagem de um castelo de madeira para defesa do local, tendo as obras de fortificação arrancado a 29 de junho de 1515. Apesar das dificuldades encontradas, desde o fundamento pouco seguro para assentar as muralhas, que obrigou a alargar a sua espessura, à falta de pedra aparelhada e de ferramentas, os trabalhos decorreram com alguma celeridade. Em pouco mais de um mês construiu‐se um pequeno fosso de maré e uma frente amuralhada voltada ao rio, com cerca de setenta metros, até à altura do parapeito, que corresponderia a um dos lados da fortaleza, cujo traçado, no entanto, se ignora.
A ocupação do local por Moulay Ismail e a construção, em 1614, no cimo do fatídico monte, da fortaleza espanhola de São Miguel do Ultramar (foi abandonada em 1681) ocultaram e/ou descaracterizaram a estrutura fortificada erguida por Boytac. Identificada por Pierre de Cénival nos anos 30 do século XX, não se encontra perceptível na atualidade, cabendo à arqueologia o papel de a revelar e dar a conhecer.

Loading…