Forte

Forte

Seram [Ceram/Hoalmoal Veranula/Loki], Maluku, Indonésia

Arquitetura militar

Em Loki, na cumeada que divide as encostas oriental e ocidental da península de Hoamoal, no extremo sudoeste da Ilha de Seram, fronteira a Amboino, existe um forte cuja origem a tradição atribui a portugueses. Embora nenhuma autoridade portuguesa tenha ali erguido qualquer fortificação até à transferência para os holandeses da hegemonia sobre o arquipélago de Amboino, os portugueses, a título particular, embora com assistência esporádica vinda de Goa, Macau ou das Filipinas, continuaram a apoiar os focos de resistência que se foram sucedendo, ao mesmo tempo que contrabandeavam algum cravo, reexportado por via de Malaca e, depois de 1641, por Macassar.
Na época em que os portugueses abandonaram Malaca, o movimento de revolta contra o domínio holandês no arquipélago de Amboino conheceu um recrudescimento, liderado pelo kimelaha de Luhu, na Ilha de Seram. Uma década mais tarde, estalava o que costuma designar‐se por Grande Guerra de Amboino ou Guerra de Hoamoal (1651‐1658), quando cento e sessenta holandeses, incluindo algumas mulheres e crianças, perderam a vida às mãos dos chefes revoltosos, Madjira e Kapitan Laut Said. Segundo Boxer, as autoridades holandesas em Batávia acreditavam que o mercador e aventureiro português sedeado em Macassar, Francisco Vieira de Figueiredo, estivera por detrás dos acontecimentos de 1651. Os holandeses baseavam‐se em cartas apreendidas, dirigidas por Figueiredo ao vice‐rei da Índia, em Goa.
Em 1651 os revoltosos ergueram em Loki, na costa oriental de Hoamoal, vários fortes em madeira e um em pedra, no ponto mais alto. Sentindo‐se incapazes de tomar este último reduto aos revoltosos, que receberam um poderoso reforço vindo de Macassar, no qual participou um número indeterminado de portugueses arregimentados por Francisco Vieira de Figueiredo, os holandeses ergueram, em 1652, um forte precário, em madeira, junto da praia, até que, poucos meses volvidos, a 27 de junho desse ano, uma força de quatrocentos holandeses e cinquenta ternatenses, seus aliados, tomou de assalto o forte na colina de Loki. Esta cena foi fixada numa aguarela da época, da autoria do pintor Arnold de Vlamingh van Outshoorn, que serviu a VOC nas Índias Orientais.

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