Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A primeira capela dedicada a Nossa Senhora do Pilar foi erguida concomitantemente à formação do Arraial Novo. Construída em taipa e coberta de palha, era tão tosca quanto os "ranchos" de que se compunha a povoação nos primeiros anos do século XVIII. A freguesia episcopal foi certamente instituída antes de 1711, ano em que se fundou a Irmandade do Santíssimo Sacramento, associação que só podia existir em paróquia organizada. Em 1709, durante um conflito armado entre paulistas e reinóis, a ermida foi incendiada. à época, começara‐se a erguer um outro templo, com a mesma invocação de Nossa Senhora do Pilar. Situado na parte exterior do arraial, do outro lado do córrego, a meia encosta do morro, este edifício serviu de matriz durante poucos anos, e nem chegou a ser concluído: em 1719, provavelmente devido às novas rebeliões que agitavam as Minas, as paredes "que se haviam começado para a Igreja Matriz" foram utilizadas para a construção de um quartel. Em 1721, o bispo do Rio de Janeiro autorizou a construção da igreja definitiva, desta vez "dentro do corpo da vila, e não fora como a antiga", permitindo que se utilizassem alguns dos materiais desta última "em ajuda da dita obra". Em 1724 foi realizada a cerimónia de bênção da nova matriz, construída de alvenaria e cantaria, "com frontispício para a principal rua, que chamam Rua Direita", e organizou‐se a procissão solene de traslado do Santíssimo Sacramento, partindo da igreja velha. No entanto, a execução da talha ocorreu somente na década seguinte. A este respeito, Myriam R. A. de Oliveira notou que, embora realizada no período joanino, a talha da capela‐mor já incorpora temas típicos do vocabulário decorativo do rococó - facto que é, aliás, identificável em diversos outros retábulos da última fase do barroco joanino em Minas (1745‐1760). Em 1739, a igreja ainda estava em obras, e foi solicitada a Sua Majestade uma ajuda de custo de três mil cruzados para finalizá‐la. Uma década mais tarde, ainda faltavam diversos acabamentos, mas um cronista local já qualificava a matriz de "templo formoso", descrevendo as sete capelas (altares) "cobertas de primorosa talha, quatro delas bem douradas", além de coxias, púlpitos, um coro sobre três arcos, e os tetos da nave e da capela‐mor com "especiosas pinturas". De facto, a abóbada da nave apresenta pintura, de autor desconhecido, com ornatos rococó e medalhão central, representando a Virgem e o Menino Jesus. Em meados do século também já existiam as galerias laterais, em dois pavimentos, que serviam de consistórios para as irmandades e as sacristias. Os atuais adro e frontispício da Matriz do Pilar só foram iniciados por volta de 1820, baseados num risco de Manoel Victor de Jesus, de inspiração neoclássica, que veio substituir o frontispício de Francisco Lima de Cerqueira.

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