Forte

Forte

Cabo de Rama, Goa, Índia

Arquitetura militar

As ruínas da fortificação de Cabo de Rama encontram‑se numa pequena península situada a cerca de trinta e oito quilómetros a sul da do porto de Mormugão, após uma longa extensão de areal. Durante um longo período, o promontório de Cabo de Rama representou o limite norte dos territórios do rajá de Sunda, potentado vizinho de Goa. Os portugueses conquistaram a fortificação em 1763, durante a governação do vice‑rei Manuel de Saldanha e Albuquerque, expandindo assim o território de Goa para o sul e dominando a província de Canaconá. O controlo desta fortificação permitia ainda policiar a costa circundante, zona de grande movimentação de contrabandistas e piratas. A maior parte das estruturas em Cabo de Rama remonta ao período pré‑português, tendo sido adaptadas à fortificação muçulmana aí existente. Os portugueses limitaram‑se, provavelmente, a construir algumas posições de artilharia às cotas mais baixas e a edificar uma capela no recinto da fortificação. A principal linha de muralha está voltada ao lado leste e compreende quatro baluartes de forma cilíndrica, para além de uma pequena estrutura de dois pisos sobre a porta principal, que aparenta ser uma construção mais recente. Ao longo do flanco norte existem vestígios de outra muralha, intercalada por algumas posições de artilharia e contendo ainda um tanque de água, provavelmente de origem hindu. No extremo noroeste da fortificação encontram‑se os vestígios de um baluarte redondo, mais perto da orla marítima. Aqui aparece uma nova muralha a fechar o recinto do lado oeste, junto da qual se distinguem as ruínas de uma estrutura militar. Ao longo da costa sul, ainda se implantam vários baluartes e as ruínas de duas couraças que descem a encosta em direção ao mar. Várias peças de artilharia permanecem junto aos baluartes. A poucos metros da entrada do forte está a Capela de Santo António, construída em data incerta para assistir à guarnição militar. A sua fachada principal revela restauros recentes e a sua morfologia, para além de dois alpendres laterais, é bastante simples. Perto da capela existem vários pequenos cruzeiros, relacionados talvez com o percurso de uma procissão. Nas últimas décadas da administração portuguesa em Goa, o Forte de Cabo de Rama serviu de colónia penal, ao que alude uma inscrição de cariz particular junto à entrada do forte.

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