Fortificação e Capela de Nossa Senhora de Brotas e de Nossa Senhora da Piedade

Fortificação e Capela de Nossa Senhora de Brotas e de Nossa Senhora da Piedade

Angediva, Goa, Índia

Arquitetura religiosa

As primeiras estruturas defensivas e religiosas construídas pelos portugueses na Índia situavam ‑se na pequena Ilha de Angediva, cerca de vinte quilómetros a sul da fronteira entre os estados de Goa e Karnataka. Contudo, com a fixação em Cochim, em 1506, a ilha ficou praticamente abandonada até 1682. Em setembro de 1498, na viagem de regresso da Índia e após visitar Calicute, Vasco da Gama desembarcou a sua marinhagem na Ilha de Angediva. Os portugueses notaram várias fontes de água e um amplo tanque em pedra lavrada, ligado a um aqueduto que encaminhava a sua água até perto da praia. Já em 1505, o vice ‑rei Francisco de Almeida construiu uma pequena fortificação na ilha, composta de uma torre central, provavelmente flanqueada por dois redutos e ligada a estes através de couraças. Estas estruturas foram desmanteladas em inícios de 1506, quando os portugueses se estabeleciam em Cochim e Cananore. A ilha ficou então praticamente abandonada, servindo de refúgio ocasional a piratas ou a eremitas hindus. Angediva foi reocupada em 1682, numa altura em que os maratas expandiam as suas forças navais, procurando dominar a costa ocidental da Índia. Neste contexto edificou ‑se um amplo sistema defensivo ao longo da praia do lado norte da ilha; consistia em várias cortinas e baluartes, para além de alojamentos para a guarnição e capitão. Iniciou ‑se também a construção da Capela de Nossa Senhora das Brotas, na ponta norte. Em 1728, o vice ‑rei ordenava obras de beneficiação nesta estrutura. Desta fase terá resultado o essencial da arquitetura da capela, com uma nave e capela ‑mor separados por um arco triunfal, flanqueado por dois altares colaterais. Na fachada, destaca ‑se um campanário e ainda um corpo anexo do lado direito. Já no período do último governador da Índia Portuguesa, Vassalo e Silva, a capela beneficiou de um restauro. A sudeste daquela capela existe outra pequena capela ou ermida, outrora integrada num baluarte, consagrada a Nossa Senhora da Piedade. Esta estrutura terá sido significativamente alterada na fase final da presença portuguesa. Segundo a tradição local, a capela foi construída sobre uma ermida primitiva, onde os primeiros frades franciscanos costumavam celebrar o ofício. De referir ainda uma cruz de madeira colocada na ilha em 1916 pelas autoridades britânicas para assinalar o local onde faleceram vários soldados ingleses entre 1663 e 1665. A partir de meados do século XIX, a ilha sofreu um decréscimo de população e de importância. Em dezembro de 1961, quando foi integrada na União Indiana, para além de uma pequeno contingente militar, estava praticamente desabitada. Atualmente, a Ilha de Angediva está integrada numa grande base naval da Marinha indiana, tendo sido unida à terra firme através de um pontão com quase dois quilómetros de comprimento.

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