Forte

Forte

Tarapur (Tarapor/Trapor), Maharashtra, Índia

Arquitetura militar

A fortificação de Tarapur situa‑se a cerca de sessenta quilómetros a sul de Damão, na margem sul da barra de um pequeno ribeiro. Constituía o principal entreposto comercial da praganá de Tarapur, uma das zonas mais produtivas do distrito de Damão, ocupada pelos portugueses entre 1559 e 1739. À semelhança de outras zonas costeiras da Província do Norte, a fortificação portuguesa resultava de uma série de intervenções ad hoc, de acordo com as necessidades e ameaças sucessivas. Por seu turno, os maratas intervieram consideravelmente no perímetro defensivo, construindo as muralhas do lado sul, que se distinguem das alvenarias mais antigas, situadas no lado norte. Atualmente, o forte é propriedade privada e o seu interior é aproveitado para plantação de cocos. Após um saque inicial em 1531, em 1559 os portugueses ocuparam a praganá de Tarapur e começaram a fixar‑se na povoação. Prontamente edificaram uma tranqueira, que servia de residência ao capitão. Nas palavras de João de Barros nas Décadas da Ásia, era "feita de palmeiras bravas metidas muito na terra e muito juntas, forradas por dentro com seus esteirões de bambus grossos, com alguns andaimes e guaritas". A partir desta estrutura o vice‑rei Matias de Albuquerque ordenou em 1593 a construção de uma fortificação em materiais perenes, aprovisionada com artilharia e capaz de defender eficazmente a barra de Tarapur. Esta iniciativa relacionava‑se também com o estabelecimento de uma missão de frades dominicanos no local, seguida da vinda de outros religiosos. A estrutura, concluída em 1595, serviu doravante de residência ao capitão de Tarapur, que acumulava o cargo de tanadar. Entre a lista de capitães, destaca ‑se o cronista Diogo de Couto. O território de Tarapur exportava bate (arroz em casca) e algodão para Damão e outras zonas. À semelhança de outros locais do distrito, muitas das aldeias da praganá de Tarapur pagavam imposto a um potentado indiano vizinho, conhecido como o rei de Sarceta. Apesar da situação exposta da praganá, atacada frequentemente pelos povos vizinhos, Tarapur era uma das zonas mais produtivas da Província do Norte. Com a chegada do vice‑rei conde de Sandomil à Índia em outubro de 1733, iniciou‑se uma tentativa de reforma do sistema defensivo da Província do Norte. O Forte de Tarapur deve ter sido intervencionado, mas os maratas acabariam por conquistá ‑lo em fevereiro de 1739. Para além do flanco norte da estrutura, onde permanecem um baluarte e uma porta entaipada unidos por uma cortina, não é claro o que constitui construção marata ou apenas reconstrução de muralhas portuguesas derribadas durante o cerco de 1739. Atendendo à descrição de André Ribeiro Coutinho de 1728, a fortificação de Tarapur tinha forma heptagonal e compreendia, além do baluarte, quatro redutos e três cubelos. Guarneciam‑na apenas vinte e cinco soldados aptos para serviço, para além de ser imperfeita e as suas muralhas baixas e sem parapeitos. A porta, atualmente entaipada, apresenta motivos decorativos e ainda um nicho para uma estátua. O baluarte, relativamente intacto, apresenta posições de artilharia e um acesso vertical para os parapeitos. Já as alvenarias do lado sul e sudeste possuem um aparelho diferente, talvez por construções ou reconstruções maratas após 1739. No lado nordeste da fortificação existem duas inscrições inseridas na face exterior das muralhas. Uma alude à já referida fundação do forte, em 1593, e a outra é uma pedra tumular reaproveitada.

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