Engenhos da Várzea do Rio Paraíba

Engenhos da Várzea do Rio Paraíba

Santa Rita, Paraíba, Brasil

Habitação

A várzea do Rio Paraíba é uma planície sinuosa, com largura de 1 a 6 km nos últimos 55 km antes da foz. Paisagem cultural, ela guarda a memória material e imaterial da contínua ação humana sobre o quadro natural. Considerando a arquitetura mais vinculada à herança portuguesa, o trecho principal vai do Engenho Itapuá à povoação de Nossa Senhora do Livramento (municípios de Santa Rita, Bayeux, Cruz do Espírito Santo e São Miguel do Taipu). Como mostra Gonçalves, a conquista de Paraíba pretendia garantir a posse desta área, rica em pau‐brasil e propícia à cana‐de‐açúcar, num contexto internacional muito favorável a tal cultura. Assim, o seu primeiro ciclo de ocupação foi rápido e próspero (1585‐1634), simultâneo à ocupação urbana e militar da mesma área. Finda a longa crise iniciada com a expulsão dos holandeses (1654), a expansão do açúcar tem sido contínua pela várzea, que permanece a maior produtora do estado. Nos engenhos, complexos de edificações foram sucessivamente construídos e reconstruídos para atender à produção, ao serviço religioso e à moradia de proprietários e trabalhadores. Até ao século XVIII, criaram‐se também capelas independentes, dotadas de seu próprio "património". De forma geral, a arquitetura mais antiga remanescente na várzea do Paraíba é desta época. A transição da manufatura para a indústria (ca.1890‐1920) esvaziou os conjuntos edificados e tem produzido uma nova paisagem, num contexto de preservação incipiente. Em maior quantidade, restam apenas capelas, por sua maior resistência física e alguma persistência no uso. Na sua maioria, elas prolongam o barroco/rococó pernambucano. Além daquelas tratadas individualmente, registem‐se a Capela do Engenho Itapuá, com sua portada com o emblema carmelita (equivocadamente registada por Valladares como do Engenho Nossa Senhora de Guadalupe) e a de Santa Luzia, com data de 1862 na fachada - única da várzea a reproduzir a tipologia setecentista com galerias e tribunas. Estão arruinadas as capelas do Engenho São João e de São Felipe (esta no Engenho Poxi de Cima, registada por Valladares ainda íntegra). As capelas de Santo António (do engenho homónimo) e de Nossa Senhora do Rosário (do Tibiri de Cima) também são ruínas recompostas. De forma geral, as outras edificações pereceram. Restam ruínas das casas‐grandes dos engenhos São Gonçalo e da Graça; e das fábricas dos engenhos dos Reis, da Graça, São João e Itapuá. Esta última destaca‐se por suas bocas de fornalha abertas para o exterior, característica arcaica desaparecida no século XIX, e pela azulejaria do início do século XVII, registada por Santos Simões (possivelmente aproveitada de outra construção, hoje em coleção particular). Exemplares tardios preservados podem ser encontrados em regiões próximas (Taipu, Brejo e Mamanguape), e na cidade de João Pessoa (Engenho Paul).

Loading…