Ruínas da Capela e Engenho da Graça

Ruínas da Capela e Engenho da Graça

João Pessoa, Paraíba, Brasil

Arquitetura religiosa

A 4 km do núcleo inicial de João Pessoa, o antigo Engenho da Graça forma, com a lagoa à sua frente, um arranjo paisagístico notável. Silva mostra que o lugar surgiu logo após 1585, com o aldeamento jesuítico de Piragibe, que de lá foi transferido em 1593, culminando com a expulsão dos jesuítas da capitania. Como alguns elementos da capela vinculam‐se nitidamente aos inacianos, e como ela não remonta a esses primeiros anos, muito provavelmente a ordem tornou ao lugar depois que voltou à Paraíba (sua nova casa foi aberta em 1683). A construção, classificada isoladamente pelo IPHAN em 1938, é de nave única, sem capela‐mor e com sacristia. Um nicho na alvenaria serve de retábulo, encimado pelo relevo de dois anjos segurando uma coroa sobre um pássaro bicéfalo. No frontispício, destaca‐se a portada, com frontão em segmento de círculo, ladeada por duas portas falsas, menores, com frontões triangulares. É este arranjo erudito, raro no Brasil, mas comum nas igrejas dos jesuítas, que associa a edificação à ordem. Estes elementos são anteriores a 1746, pois Silva mostra que, neste ano, a capela já era particular. No século XIX, o sítio já era engenho, o que gerou a casa‐grande (contígua à capela), fábrica e senzala. Na capela, são deste tempo a cimalha com segmento curvo, o frontão com volutas e os balaústres dos balcões. Todo o conjunto, hoje arruinado, deve datar do início do século XIX, pois o uso extenso da cantaria seria abandonado nas décadas seguintes. Os vestígios da fábrica são notáveis, como mostrou Carvalho, por apresentarem evidente (e rara) intenção estética em suas pilastras toscanas e na preocupação com a composição das fachadas.

Loading…