Elmina [São Jorge da Mina]

Lat: 5.082737000000000, Long: -1.348132000000000

Elmina [São Jorge da Mina]

Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Gana

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Em 1471 os navios comandados por Pêro Escobar e João de Santarém chegaram à foz do Rio Prah, no Golfo da Guiné, onde comerciaram algum ouro com a população local. Os dois navegadores iam por ordem do comerciante Fernão Gomes, que havia tomado de arrendamento, da coroa portuguesa, por 200.000 réis por ano, o comércio da Guiné, com a obrigação de explorar, por ano, cem léguas da costa a partir da Serra Leoa. A presença europeia no Golfo da Guiné contribuiu para a expansão do comércio transaariano em direção ao sul. No entanto, já nos finais do século XIV as rotas comerciais, que anteriormente paravam em cidades da savana, como Timbuctu, se prolongavam até à costa. Alguns produtos manufaturados em Marrocos ou na Tunísia eram comerciados nas cidades costeiras ainda antes da presença portuguesa. O ouro oferecido para troca pelos mercadores africanos, provavelmente ouro de aluvião, era tão abundante que levou os navegadores portugueses a imaginar que existiriam minas próximo da costa; daí o nome de "Mina" dado à costa. O comércio do ouro atingiu rapidamente valores consideráveis, o que levou D. João II, logo que subiu ao trono, a pôr em ação o projeto, que já vinha de D. Afonso V, de mandar construir a Fortaleza de São Jorge da Mina. O objetivo era defender esse comércio e garantir o efetivo monopólio da coroa portuguesa sobre o comércio da Guiné, que o Tratado de Alcáçovas, de 1497, viera consagrar. Diogo de Azambuja foi encarregue de construir a fortaleza. Tendo saído de Lisboa em dezembro de 1481, com uma armada de uma dezena de navios, estava um mês depois na Costa da Mina, depois de uma breve paragem na Ilha de Goreia, nos dias de Natal. O sítio escolhido por Diogo de Azambuja, por acordo com o chefe local Caramansa, para a construção da fortaleza, foi uma península rochosa junto da Aldeia das Duas Partes, na embocadura do Rio Benya. Este era um local estratégico e um dos melhores ancoradouros da costa, abrigado do vento e das correntes. A fortaleza, que teve como mestre de obras o pedreiro Luís Afonso, foi construída rapidamente, com os cerca de cem artesãos, pedreiros e carpinteiros, que seguiam na armada, e com os tijolos, a madeira e as pedras que na mesma já iam aparelhadas. Através da desmontagem de pedra no local, obtinha‐se mais material de construção e construía‐se um fosso na rocha que isolava o promontório onde se edificava a fortaleza. São Jorge da Mina, Arguim, Cabo Verde e São Tomé constituíam os quatro núcleos fundamentais da presença portuguesa na costa ocidental africana. A feitoria de São Jorge da Mina e a de São Tomé eram complementares e dependentes uma da outra. São Jorge da Mina era abastecida de mantimentos por São Tomé, que também a provia de escravos, comprados no Benim, os quais eram posteriormente trocados por ouro. Todos os meses partia de São Tomé uma caravela com destino a São Jorge da Mina. Em março de 1496, D. João II concedeu a São Jorge da Mina, juntamente com a povoação próxima, o estatuto de cidade. Em 1503 foi construída uma capela sobre a Colina de Santiago, que dominava o forte, e viria a ter um papel importante na sua queda. Desde os finais do século XVI que os holandeses começavam a afirmar a sua supremacia na Costa da Mina, havendo sucessivas tentativas de tomar a fortaleza a partir de 1596. Acabariam por conquistá‐la em 1637, passando para a posse dos ingleses em 1872. O que atualmente resta da Fortaleza da Mina, com os fortes e castelos em volta, na Grande Accra, os entrepostos comerciais fortificados entre Keta e Beyin, no Gana, fundados pelos portugueses entre 1482 e 1786, foram classificados pela UNESCO em 1979 como património da humanidade, não tanto por causa do seu valor arquitetónico, mas como memória do sofrimento humano.

Arquitetura militar

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