Muscat [Mascate]

Lat: 23.614192000081000, Long: 58.595718000138000

Muscat [Mascate]

Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A cidade de Mascate, capital do Sultanato de Omã, está encravada numa abrigada baía, a melhor que há em toda a costa que vai do cabo de Ras al Haad (Roçalgate) até à península de Musandam (Muçadão). Ao tempo de Afonso de Albuquerque, que a submeteu a 2 de setembro de 1507, e no dizer de Brás de Albuquerque, Mascate era já descrita como "cidade grande, muito bem povoada, cercada da banda do sertão de serras mui altas e da banda do mar bate a água nela e detrás nas costas, contra o sertão tem um campo tamanho como o Rossio de Lisboa, tudo feito em marinhas e sal; e aqui perto tem muitos poços de água doce donde bebiam os moradores; tinham pomares, hortas, palmeiras, com poços para regar que se tira água deles com engenho de bois. O porto é pequeno, de feição de uma ferradura, abrigado de todos os ventos... é escápula antiga de carregamento de cavalos e de tâmaras; é um lugar muito gracioso de casas muito boas; vemlhe do sertão muito trigo, milho, cevada e tâmaras para carregarem quan tas naus quiserem. Esta cidade de Mascate é do reino de Ormuz e o sertão de um rei que se chama o Benjabar [...] e este Benjabar tem seu senhorio sobre Fartaque, Dofar, Calaiate e Mascate". Por essa altura a cidade seria uma típica urbe árabe, com as suas ruelas estreitas e obscurecidas para que o sol abrasador tivesse mais difi culdade em penetrar. A elas se refere também Brás de Albuquerque, ao referir que os conquistadores se atropelavam com as lanças na ânsia de tomarem a dianteira. Nessa ocasião o único edifício digno de referência era uma mesquita que, nas palavras do cronista, era uma casa muito grande e formosa de madeira bem lavrada, mas dela nada restou, destruída pelos conquistadores. Durante cento e quarenta e três anos, ou seja até 26 de janeiro de 1650, data da queda da cidade nas mãos dos árabes, Mascate foi um importante entreposto comercial e a principal urbe de toda a costa de Omã, razão de persistentes ataques de persas e turcos - nomeadamente em 1517 por Suleiman Pasha, Piri Reis em 1550 e Ali Bek em 1580 - ataques que ditaram ao vice‐rei da Índia a necessidade de mandar fortificar tão importante porto. Mascate tinha um feitor nomeado pela coroa para um período de três anos, durante os quais, e com base no rendimento da feitoria, pagaria três a quatro mil cruzados. Durante os cerca de cento e cinquenta anos da presença portuguesa a cidade foi dotada de importantes edifícios como o hospital, a igreja e o Convento de Nossa Senhora da Graça dos frades de Santo Agostinho, fundados em 1596, para além de uma cintura de muralhas com fosso que, em 1909‐1912, aquando da visita de Mariano Saldanha, tinha ainda e apenas as duas portas que aparecem nos desenhos do século XVII da autoria de Pedro Barreto de Resende.

Arquitetura militar

Arquitetura religiosa

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