Sofala [São Caetano de, Sofala Nova]

Lat: -20.157557999823000, Long: 34.731511000375000

Sofala [São Caetano de, Sofala Nova]

Sofala, Moçambique

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Sofala - também conhecida pelo nome local de Boani e árabe de Zafar - era um lugar já referenciado pelos roteiros árabes em período anterior à chegada dos por- tugueses como a porta natural para a saída do ouro do interior. Será com o xeque árabe Zufe (ou Çufe = Issufo) que Pêro de Anaia negociará o terreno para a fixação da feitoria, conforme determinação do rei D. Manuel em 1500, destinando-se o ouro ali resgatado a financiar o comércio das especiarias na Índia. Foi então construída uma tranqueira, formada por um fosso rodeando duas paliçadas de paus paralelas a doze palmos, com o espaço atulhado de terra à maneira de muro, em Inhacamba, a dois ou três quilómetros de Inhaminagi [Nyaminaji], atualmente designada por Mwenye Mukulu [Monhé Grande], onde se encontrava a povoação árabe. Esta decisão foi contrariada por alguns árabes, que fomentaram uma revolta local em abril de 1506, o que levou os portugueses a liquidarem o xeque e alguns dos seus. A povoação portuguesa, que "era composta de bastantes e espaçosas casas", três igrejas, palmares e hortas, chegou a ter uma população estimada em cerca de seiscentos cristãos, entre portugueses, mestiços e gente da terra; foi mais tarde abandonada, depois de escolhido um novo local, onde se edificaram as habitações. A nova povoação, elevada a vila em 1764 (Sofala Nova, com foral de vila atribuído por carta régia de 9 de maio de 1761), tinha duzentas e cinquenta e duas braças de comprimento e sessenta de largura, mas possuía apenas trinta e cinco casas, sendo uma de pedra e cal, duas de madeira cobertas de telha, e trinta e duas de madeira cobertas de palha. Existia ainda a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (a doze braças de distância da cortina norte da fortaleza) e, na extremidade da vila, a casa da Câmara e o Pelourinho, sendo todas estas edificações de pedra e cal. A duas léguas da vila, em local designado por Dendira, tinham os habitantes as suas casas, escravaturas e plantações. Nessa altura, a decadência da povoação era já irreversível. Com efeito, Sofala tinha, desde os finais do século XVI, princípios do XVII, deixado de ser a sede da capitania em favor da Ilha de Moçambique. A linha de penetração e comércio para o interior desviou-se para o Rio Zambeze, com a ocupação das posições de Sena e Tete, bases da conquista e penetração do Mwenemutapa e Chicoa. Por isso, em 1769, a povoação tinha apenas dez ou doze cristãos e alguns "mouros". Em 1834, o governador António Cândido Pedroso Gamito, a Câmara Municipal e os habitantes escolheram um novo local, denominado Maoto, a cerca de duas horas da antiga vila; mas os ataques ngunis impediriam a concretização da transferência. Data de poucos anos depois o Plano de Sofala nas marés baixas, anónimo, publicado por Teixeira da Mota e depois reproduzido (Monumenta n.o 9, 1973, fig. 10, pp. 18-19). Uma outra tentativa de transferência ocorreu em 1891, quando, a pedido de alguns moradores, o governador de Sofala, Alfredo Júlio Alpoim Leite Peixoto, autorizou que se deslocassem para Mwenye Mukulu, sendo este "uma grande esplanada de terreno colocada entre 2 rios dando acesso a lanchas costeiras, ainda na baixa-mar, distando somente da Praça de São Caetano 600 metros aproximadamente" (Pinho, pp. 104-108). O governador-geral Joaquim Machado chegou a assinar uma portaria datada de 3 de julho, determinando que se procedesse ao levantamento da planta do terreno e se elaborasse o projeto da nova povoação naquele local, a que se deveria dar o nome de Vila Nova de Sofala. Mas a mudança nunca se efetuou, pois a sede do governo passaria no ano seguinte para a Beira. Para escaparem às razias dos ngunis, alguns moradores de Sofala estabeleceram-se na ilha costeira de Xiluane (Chiloane, Kilvani, Quiloane), em 1860 (oficialmente em 1865, quando ali se instalou o governo do distrito de Sofala), onde ainda existiam vestígios da presença árabe. Naquele ano transferiu-se para ali um árabe de Sofala, Mussagy, tendo construído uma casa para si e palhotas para os seus escravos. Esta povoação, conhecida por Vila Velha, foi sempre a mais habitada. Era também aí que se desenvolvia toda a atividade comercial. A residência do governo do distrito e as repartições públicas estavam localizadas no sul da ilha, na Ponta Chingune. Ali existiam duas casas cobertas a telha e cento e cinquenta palhotas. A povoação, designada por Vila Nova de Chiloane, viria a ser criada oficialmente pela ordem do governo do território [da Companhia de Moçambique] n.o 93, de 8 de março de 1893, e reconhecida por decreto de 19 de setembro de 1894. Em síntese, Sofala foi o sítio de uma fortaleza (e do respectivo povoado elementar), edificada junto ao mar e a Chiloane, um pouco a sul da atual cidade da Beira e da foz do Rio Pungué, para garantir a defesa do comércio (sobretudo do ouro) com o interior. A importância que teve nos tempos iniciais da colonização (séculos XVI e XVII) desapareceu. Restam dele apenas algumas ruínas, parte das quais persistia ainda em meados do século XX.

Arquitetura militar

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