Massangano

Lat: -9.633413997092800, Long: 14.264618994010000

Massangano

Kwanza Norte, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Massangano, Muxima e Cambambe correspondem a três implantações de base militar na região do Kwanza, com sequente desenvolvimento em pequenas povoações, erigidas à volta do forte e da igreja respectiva. Pela sua origem e desenvolvimento histórico (nomeadamente a luta contra o invasor holandês, no século XVII), características específicas e proximidade geográfica, constituem marcos da conquista e colonização que devem ser estudados em conjunto. Apresenta‐se aqui a introdução geral à sua região, na relação com Massangano. As margens do Rio Kwanza foram, ao longo dos séculos XVI a XIX, habitadas por populações cujas ocupações eram muito diversas, desde a agricultura e artesanato à caça e à pesca. Regularmente, nos mercados locais, eram permutados alguns escravos e a produção excedente. De modo a garantir "mais abundoso resgate" ao longo da "conquista" portuguesa do reino do Ndongo, esses núcleos detiveram uma função estratégica aliada ao Kwanza, que durante esse vasto período foi uma via de intensa atividade comercial. O seu controle pelos portugueses antecipou o domínio sobre a terra e os homens. A partir de fortalezas erguidas em sítios elevados, a vigilância exercida visava ambas as margens e em particular a Kissama, que manteve focos de resistência até ao século XX. Era nos presídios fortificados que os feitores da coroa cobravam os dízimos sobre o pescado das lagoas e do rio, e os tributos impostos aos sobas da jurisdição dos presídios. Como eixo de comunicação e transporte, o Kwanza foi sulcado por lanchas, canoas, barcos à vela e navios a vapor para passageiros e mercadorias até ao século XX, quando esses meios foram parcialmente substituídos pela via‐férrea e pelas estradas. Além de pequenos portos como Tombo, Calumbo e Mbulutu, alguns núcleos já existentes foram reestruturados e reorganizada a ocupação do território.
Após as primeiras investidas militares de Paulo Dias de Novais em território do Ndongo, devido à localização de Massangano na confluência do Lucala com o Kwanza, foi decidida pelos portugueses a sua ocupação com o intuito de a partir daí efetuarem a conquista do território. Em 1583 foi iniciada a construção da Vila da Vitória, com igreja e fortaleza. Ali morreram e foram sepultados Paulo Dias de Novais (1589) e Luís Serrão (1591), responsáveis pela execução de uma política de predação e conquista do território dos ngola. Foi fundado o Presídio em 1612, no governo de Manuel Pereira Forjaz. Contudo, até cerca de 1626, numerosas batalhas e recontros tiveram lugar entre o rei do Ndongo e os portugueses, provocando grande mortandade em ambos os lados. A partir de Massangano a conquista portuguesa prosseguiu nos territórios vizinhos - Cambambe, Muxima, Ambaca, Pungo‐Andongo, Golungo - e a povoação foi crescendo à medida que a importância política e militar do presídio se tornou essencial à hegemonia portuguesa na região. Durante o domínio holandês, Massangano acolheu as forças portuguesas que haviam perdido Luanda. Isso explica a sua elevação a vila em 1641 e a criação de estruturas administrativas, judiciais e religiosas, para as quais foram construídos edifícios próprios, uma vez que foi sede do governo de Angola durante sete anos. A riqueza agrícola da região circundante assegurava muita farinha e outros mantimentos para a população do presídio, tendo sido nesse refúgio preparada a reconquista de Luanda e Benguela, que ocorreria em 1648. A partir deste ano, Massangano voltaria a abastecer a capital da "conquista" em farinha de milho e de mandioca e óleo de palma, tudo transportado em pataxos, sumacas e lanchas de coberta para o terreiro público, e ainda porcos, carneiros e cabritos, galinhas e tangas, além de escravos, marfim e cera. Além disso, Massangano era a praça de armas donde partia socorro em gente, mantimentos e armas para as fortalezas do Kwanza, nomeadamente a da Muxima, ao longo dos séculos XVII e XVIII. Contudo, a crescente importância política e económica de Luanda ditou o declínio de Massangano. No início do século XIX tinha ainda cerca de 10.900 habitantes, dos quais novecentos e cinquenta escravos, alojados em duas casas de pedra e cal e em seiscentas cubatas. Em 1846 Lopes de Lima, além de referir o estado da fortaleza e da igreja, indica para Massangano a existência das mesmas seiscentas casas. Embora constituído o seu concelho em 1857, a vila foi perdendo importância económica e administrativa para o Dondo, facto testemunhado por Henrique de Carvalho em 1885. As causas mais frequentes de morte eram então o paludismo e a varíola, e a a doença do sono começava a devastar a região. "Com seus outeiros coroados de nobres edifícios", Massangano possui ruínas classificadas como Monumento Nacional desde 1923. Em 1680 estavam já decrépitos alguns edifícios na vila, mas foi no século XIX que o abandono acelerou a sua ruína.

Arquitetura militar

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

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