Huíla [Alba Nova; Tchiange/Chiange, Almoster; Kipungo/Quipungo, Paiva Couceiro; Kilengues/Quilengues]

Lat: -14.824271999650000, Long: 14.547496986509000

Huíla [Alba Nova; Tchiange/Chiange, Almoster; Kipungo/Quipungo, Paiva Couceiro; Kilengues/Quilengues]

Huíla, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A presença portuguesa na província da Huíla teve início no século XVII, com as incursões feitas para o interior a partir de Benguela, sendo essa a época de fundação do Presídio da Caconda (1682) e das primeiras ocupações na área de Quilengues. Durante a governação de Sousa Coutinho surgiram as primeiras tentativas de fixação mais a sul, com a fundação de Alba Nova, em 1769, que, apesar de não ter sido bem sucedida, se julga estar na origem da atual povoação da Huíla. Só em meados do século XIX, por necessidade de ligação entre a posição interior na Caconda e a posição mais recente de Moçâmedes, no litoral, se começa a efetivar a ocupação do território. O Presídio da Huíla, de 1845, vem estabelecer as bases para a ocupação efetiva, que só se concretiza décadas mais tarde com a fixação dos bóeres e a fundação da colónia de São Januário da Humpata (1881) e da Chibia, em 1885. Nesta região, fora dos aglomerados urbanos importa referir o relevante património dos núcleos missionários, de grande importância para o conhecimento do território e apoio à colonização.
A povoação da Huíla, inicialmente denominada Alba Nova, foi alvo de várias tentativas mal sucedidas de povoamento espontâneo no decorrer do século XIX. De forma direcionada fora fundada, em 1875, a colónia militar proposta por Sá da Bandeira, também sem sucesso. Mas, ao longo do tempo, várias pessoas se foram fixando, autonomamente e sem ajudas oficiais, acabando por constituir a povoação da Huíla, junto à fortaleza. Para a Huíla conhecem‐se dois planos, completamente distintos, especialmente no carácter urbano subjacente a cada um deles. Uma das propostas, datada de 1956, fazia a adaptação da anterior ocupação, traduzida num número reduzido de pequenos edifícios dispersos, através de uma estrutura regular de escassos quarteirões, com destaque para a igreja e a casa do chefe de posto. A outra proposta, que se deduz ser posterior, tinha uma abordagem quase antagónica, mais formal, mais hierarquizada, criando níveis de vivências sugeridos pelos espaços urbanos: praças, largos e avenidas.
O Tchiange (Chiange), antiga Vila Almoster, é um caso atípico da relação da cidade com o caminho‐de‐ferro, uma vez que não contempla a presença deste no seu desenho. Do início dos anos 1950, produzido pelo Ministério do Ultramar (Gabinete de Urbanização do Ultramar), o plano fazia uma proposta muito regrada no sentido em que, com um léxico urbano reduzido de praças, avenidas e ruas, e através de uma estrutura de quarteirão e da distribuição por zonas funcionais, encerrava o núcleo urbano por meio de uma via de remate.
Os núcleos do Kipungo (Quipungo, antiga Paiva Couceiro), Chipindo, Caluquembe, Chicomba e Cacula são igualmente núcleos urbanos a referir, estando a sua criação associada aos referidos eixos de comunicação e à criação de postos administrativos. Para Kilengues (Quilengues), que vivia do comércio de gado e da exploração agrícola, foram elaborados dois planos: o primeiro, de 1961, do arquiteto Frederico Ludovice, e o segundo (revisão do primeiro) do arquiteto Sabino Luís Martins Corrêa, em 1965. Ambos eram PZOI (Plano para Zona de Ocupação Imediata). O plano inicial enfatizava a continuidade construída ao longo da via principal, que resultava da estrada municipal, e onde estavam também incluídos os edifícios preexistentes, absorvidos e mantidos no plano. Também a implantação de missões religiosas deu lugar à Missão Católica do Cubango, à Missão Católica de Sangueve e à Missão Evangélica do Bunjei. Chibemba também foi, em 1974, objeto de plano de urbanização pelo arquiteto Adérito Barros, que limitava o núcleo através da via de remate e da estrada que atravessava a povoação.

Arquitetura religiosa

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