Ambriz

Lat: -7.845831000088300, Long: 13.107160999787000

Ambriz

Bengo, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Este antigo povoado, situado numa "pequena enseada na abrigada de uma alta rocha" em terras do Mussulu, mereceu uma referência datada de 1793‐1794: "o Dembo Quitungo é dono do porto chamado Quitungo que é o mesmo do Ambriz, de grande comércio das nações estrangeiras que ali vêm comprar escravos e descem de todo o sertão de Calandula, da Ginga, de Ambaca, das Pedras de Pungo‐a‐Ndongo e de todo o Congo e sertão do Norte" (Anais Marítimos e Coloniais, 1846). Só o poderoso ndembu podia, com efeito, conceder autorização para os comerciantes das feitorias europeias se instalarem no local, a troco do pagamento de uma quantia em mercadorias. Atraídos pelo intenso tráfico de escravos ali realizado, os portugueses avançaram até ao Rio Loje, onde impuseram ao ndembu Quitungo a construção de um forte em 1790‐1791, para vigiar a costa e condicionar a afluência de outros traficantes europeus. Além disso, num antigo mapa de 1790 são assinaladas vastas salinas na foz do mesmo rio, onde mulheres e crianças produziam sal destinado à permuta com o interior. Até 1868, persistiu a troca de escravos por outras mercadorias nas várias feitorias europeias ali instaladas, como ocorria de igual modo em Kissembo, Ambrizete, Musserra e noutras pequenas enseadas do litoral norte, onde navios de traficantes de Cuba e do Brasil carregavam escravos provenientes do interior. Após a proibição do tráfico atlântico no século XIX, casas comerciais francesas, inglesas, brasileiras, espanholas e portuguesas instaladas em Boma e Banana, na margem direita do Rio Zaire, converteram a sua atividade, como sucedeu no Ambriz, onde, sob feroz concorrência, adquiriam o marfim e a borracha, trazidos pelos bazombos do Kongo, do Kwango e da Lunda, através de Mbanza Kongo/São Salvador. Nesta fronteira norte da colónia, era dificultado o acesso aos portugueses, sendo diminuta a sua participação no comércio livre ali praticado.
Após a ocupação militar efetuada em 1855, a qual visou, entre outras finalidades, as minas do Bembe, foi criado o distrito do Ambriz, e a vila passou a ser o principal porto de exportação na Costa Norte. O controle comercial foi alargado com a criação, em 1857, de uma alfândega para cobrança das taxas de importação dos géneros do comércio lícito trazidos ao Ambriz pelos veleiros e navios a vapor que fundeavam a cerca de duas milhas da costa. De pirogas manobradas por hábeis marinheiros cabindas eram descarregados tecidos, armas de fogo e pólvora, fios de cobre e de latão, aguardente, quinquilharia, louças e vidros, cal e alcatrão, posteriormente permutados por marfim, borracha, café, tabaco, óleos, amendoim, cera, minério de cobre e malaquite. Em finais do século, os seus 2.000 habitantes cultivavam a cana e negociavam a aguardente produzida nas fazendas do Vale do Loje. Na transição para o século XX, embora perdida a importância que tivera nas décadas anteriores como porto de exportação, a atividade comercial mantinha‐se próspera devido ao aumento da produção de óleo, algodão, café e citrinos, tendo sido referido o grande número de quitandeiras que frequentavam o mercado da vila.
A vila ganhou importância económica, recebendo navios de várias proveniências, apesar de o movimento de mercadorias ser dificultado pela falta de um molhe à entrada da baía. Contudo, no pós‐guerra, a atividade comercial ressurgiu graças às iniciativas local e estatal, que promoveram obras de interesse económico: o prolongamento da ponte‐cais, um farol, equipamento de descarga de mercadorias e a aquisição de rebocadores. Na verdade, o período de 1948‐1957 foi o de maior atividade, quando pelo porto do Ambriz era exportada a quase totalidade do café produzido nas fazendas do Uíge e a pesca e o sal marinho alimentavam os barcos de cabotagem que percorriam a costa de Angola.
Ao longo do século XX, a vila ganhou importância económica, à medida que essas atividades se desenvolviam e se ampliavam as relações com o Vale do Loje, onde persistiam grandes fazendas. Quanto ao património edificado, o poder colonial procedeu em 1869 a obras de restauro da Fortaleza do Loje (edificação de 1791), construiu o "histórico paiol da pólvora" na povoação do Ambriz, procedeu à arborização de ruas e à construção do cemitério. A alfândega com a ponte‐cais situava‐se junto à praia. Em 1882, foi levantado o plano do Porto do Ambriz, que revela uma povoação de retícula elementar, estruturada a partir da Rua Direita, uma via longa e larga, situada na margem da elevação que constitui o extremo sul da baía. Na sua parte sul, o forte servia de aquartelamento às tropas da guarnição. Nesta parte alta da vila estavam igualmente situadas as habitações dos europeus, as casas comerciais onde se fazia a permuta com o gentio (Moraes, 1885) e ainda o hospital, a administração, a câmara municipal e a igreja. No tempo de Paiva Couceiro fizeram‐se importantes obras de interesse público: um quebra‐mar no porto, o saneamento do pântano entre Ambriz e o Loje, a abertura das estradas Ambriz‐Encoje e Ambriz‐Luanda (1909). Em meados do século XX, o Ambriz tinha igreja, quartel, hospital, hotel, escola e aeródromo.

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

Arquitetura militar

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