Sistema Fortificado do Morro de São Paulo

Sistema Fortificado do Morro de São Paulo

Cairu, Bahia, Brasil

Arquitetura militar

Embora conhecido como Fortaleza do Morro de São Paulo, realmente trata‐se de um sistema de defesas que controlava uma passagem importante no Arquipélago de Tinharé. O Morro, como era normalmente conhecido, era dotado de um complexo de fortificações, algumas já desaparecidas. Destaca‐se, entre elas, a Bateria da Conceição (Bateria Velha), o Forte do Facho ou de São João Batista (conhecido posteriormente como São Paulo), as baterias do Zimbeiro e de São Luís, a Fonte Grande do abastecimento de água, o paiol de pólvora, os quartéis, a casa da guarda, as casas dos soldados e outras estruturas. Era realmente uma praça forte. Somente as cortinas, que se estendiam na parte baixa do Morro, desde a portada de entrada ao Forte da Ponta, para cobrir a passagem do canal da Boipeba, tinham mais de 650 metros. Tendo sido acomodada para a defesa do Morro e o controle do canal navegável, a fortificação adequou‐se à topografia do terreno, sendo por isso mesmo considerada do tipo irregular. De todas as fortificações da Baía de Todos os Santos, esta foi a mais louvada pela sua serventia em todos os relatórios dos engenheiros militares, desde o século XVII até ao Período Imperial. Os holandeses tinham uma especial predileção pela importância do sítio, já que controlava o abastecimento da cidade e a barra falsa da Baía de Todos os Santos através do canal de Tinharé. Neste local, eles se reuniram para atacar a capital, em 1624, e propuseram, durante a negociação de paz, a sua posse como garantia, proposta que foi rejeitada pelos portugueses. Embora existam indícios de alguma defesa antes da primeira invasão holandesa, a documentação só aponta edificações defensivas efetivas a partir de 1628, por ação do governador Diogo Luiz de Oliveira (1627‐ ‐1635). Desde 1630, as fortificações do Morro sempre estiveram em obras, acrescidas e melhoradas, por cerca de um século, até que o mestre‐de‐campo engenheiro Miguel Pereira as colocou em "sua última perfeição". Existem vestígios inacabados de cortinas de uma possível cidadela, na parte alta do morro, cujo projeto pode ser atribuído ao sargento‐mor engenheiro António Roiz Ribeiro, nos primeiros anos do século XVIII. Neste conjunto de construções eminentemente militares destaca‐se a Fonte Grande, com um chafariz que abastecia o complexo castrense, dotado de engenhoso e elegante sistema de decantação e resfriamento das águas, abrigado em uma rotunda coberta com cúpula. A água de alimentação da fonte provém de um riacho que se forma em uma lagoa na parte alta do Morro. É monumento protegido individualmente pelo IPHAN, à semelhança da Fortaleza.

Mário Mendonça de Oliveira

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