Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo e Capela e Casa de Oração da Ordem Terceira do Carmo

Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo e Capela e Casa de Oração da Ordem Terceira do Carmo

Cachoeira e São Félix, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

Num extremo da praça principal da cidade, o Convento e a Ordem Terceira do Carmo formam um conjunto arquitetónico emoldurado pela vegetação do Morro da Mangabeira, onde existiu, no século XVII, o engenho de João Rodrigues Adorno, povoador da Cachoeira e doador, em 1688, dos chãos onde foi construído o primeiro convento. O atual (1715‐1722) é uma edificação maciça em alvenaria de pedra, que se desenvolve em torno do claustro circundado por arcadas de volta inteira. Na face sul está o acesso, protegido por copiar apoiado em colunas toscanas de pedra. A sul está também o acesso à igreja, salão construído de acordo com os preceitos da Contra‐Reforma, com nave única e corredores laterais superpostos por tribunas, e que deve ter sido con‐ cluído em 1773. A frontaria do convento, coerente com os padrões do início do século XVIII, tem vãos reduzidos em número e dimensão. A fachada da Igreja, de época posterior, apre‐ senta galilé sacada com cinco arcos plenos, provável influência do partido franciscano, do qual o Convento de Cairu (1660) é a primeira manifestação na Bahia. Coroam a composição três frontões de estuque em estilo rococó flamejante, onde Bazin identifica a influência chi‐ nesa que se faz presente no rococó português. Durante o século XIX o convento foi utilizado como quartel, escola, casa da moeda, câmara, tribunal de júri e hospital, e sua situação era precária. Muito do acervo se perdeu, mas conservaram‐se os azulejos figurativos da capela do transepto; os painéis da nave, que Santos Simões data de 1760‐70; quatro colunas salomónicas primorosamente entalhadas no altar‐mor; forros com pintura ilusionista atribuídos à escola de António Simões Ribeiro e José Joaquim da Rocha, e a belíssima decoração rococó da sacristia (1780), onde existem também altar em talha joanina, dois arcazes e lavabo em pedra lioz. Contígua ao convento e em posição recuada em relação a este, a Ordem Terceira apresenta partido típico das sedes de grandes irmandades, incluindo capela em nave única, sacristia, consistório e cemitério. A portada em arco pleno é ladeada por duas ordens de pilastras que sustentam o frontão interrompido. As volutas e as janelas do coro, de um e outro lado do frontão, enquadram o medalhão da ordem em estu‐ que. Uma galeria dupla, ou loggia, com colunas octo‐ gonais (1788) dá acesso, no térreo, ao claustro retan‐ gular com arcadas em arco abatido e, no pavimento superior, à sacristia, ao coro e ao consistório. Internamente a capela é revestida por talha dou‐ rada, onde Bazin identifica duas fases: uma mais antiga (altar‐mor e arco‐cruzeiro) à qual atribui influência franciscana, e outra (altares e tribunas) cuja influência chinesa pode ter vindo pelo contato com os jesuítas do Seminário de Belém. Silhares de azulejos figurativos, lisboetas (1745‐50) e um cancelo de jacarandá com confessionários completam a decoração do templo. Na sacristia destacam‐se o forro plano pintado com meda‐ lhão, arcaz duplo, lavabo em lioz e armário com deta‐ lhes em tartaruga. No consistório, um armário conta‐ dor, em madeira com pintura e imagens de roca, também estes de influência nítidamente oriental.

Ana Maria Lacerda

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