Ruínas do Convento e Igreja de Santo António (Paraguaçu)

Ruínas do Convento e Igreja de Santo António (Paraguaçu)

Cachoeira e São Félix, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

As ruínas do convento nascem das águas do Iguape, no Rio Paraguaçu. A igreja está recuada, mas uma das suas alas se estende até ao lagamar delimitando o pátio anterior do convento. No último pavimento desta ala existia uma varanda sobre o rio "que é o melhor e todo o divertimento que têm os religiosos nesta casa". Antecede a igreja um cais, que se articula com um grande adro murado com volutas através de escadarias e pata‐ mares. Num desses patamares, a cavaleiro do cais, está o cruzeiro, com o seu monumental pedestal poliédrico de arenito decorado com máscaras, conchas, flora e frutos tropicais. O mesmo muro com volutas separa o adro do primeiro pátio do convento. Este se desenvolve em torno a um segundo pátio com dois pavimentos e um subsolo na parte que avança sobre o lagamar. Na parte posterior fica a cozinha, com sua coifa cónica. No fundo do convento há um grande poço, cuja água era levada por um aqueduto para a cozinha. A igreja é envolvida por galerias superpostas por tribunas. A do lado direito, devido à topografia, é uma dupla arcaria. Seu frontispício é de tipo escalonado, construído sobre galilé em abóbadas de aresta. O primeiro pavimento possui cinco vãos, o segundo três, e o terceiro, um nicho. A concordância entre os pisos é feita por volutas. A fachada é modulada por uma trama de pilastras e frisos. Torre recuada terminada em cúpula oitavada. As ruínas do convento estão classificadas pelo IPHAN. O Convento de Cairú (1654) e este (1658) são os pri‐ meiros construídos após a separação dos franciscanos do Brasil da província de Santo António de Portugal e inauguraram um novo modelo de frontispício difundido no Nordeste, que soa como um grito de liberdade. No capítulo presidido pelo primeiro custódio independente, Frei João Batista, aceita‐se, em 1649, a doação do padre Pedro Garcia, senhor do Engenho Velho, de dois sítios. Num deles, no Pontal, atendendo aos moradores do Iguape, são construídos um pequeno recolhimento e uma capela. Em 4 de novembro de 1658, é lançada a pedra fundamental do atual convento. Frei Daniel de São Francisco é designado para "dispor" sua planta e conduzir a solenidade, como já havia feito em Cairú. A igreja é sagrada em 1660, segundo data na portada. A data de 1686 na portaria do convento deve indicar seu término. O interior da igreja possuía barras de azulejos de meados do século XVIII; piso formado por sepulturas com tampas de madeira; forros em gamela e abóbada de berço; talha setecentista e cancelo atribuído a Frei Luís de Jesus, "o torneiro". Na sacristia, entre painéis de azulejos, ficava o lavabo de mármore. Smith vê nessas duas fachadas monumentais, que seriam repetidas em Recife e em João Pessoa, reminiscências maneiristas tardias. Mas há nesses conventos evidências de influência de três elementos indianos: cruzeiro sobre pedestal escultórico em meio ao átrio, ou tulôsse; fachada escalonada inscrita num triângulo, dividido por pilastras, cornijas e frisos, comum nas igrejas indo‐portuguesas de Cochim e do estado de Kerala; galerias laterais com um ou dois pisos abertas para o exterior e para o interior da nave, como em duas igrejas em Palai, na de Santo André, em Artunkal, e de São Tomás, em Thumpoly. Influências orientais são notadas em outras igrejas de Cachoeira.

Loading…