Casa, Capela e Sobrado da Fazenda Acauã

Casa, Capela e Sobrado da Fazenda Acauã

Aparecida, Paraíba, Brasil

Habitação

A região de maior importância dos sertões da Paraíba, durante o período colonial, foi a bacia do Rio Piranhas. Sua ocupação foi vinculada à criação de gado, e iniciou‐se na segunda metade do século XVII, por prepostos da Casa da Torre. Houve longos conflitos com a população indígena, que receberam o nome de Guerra dos Bárbaros e atingiram Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Como mostrou Sarmento, a administração das três capitanias colaborou na conquista, coordenadamente. Em 1700, as terras de Acauã já tinham este nome, mas ainda não estavam povoadas, e foram doadas para dez requerentes. Em 1757, o capitão José Gomes de Sá, alegando estar de posse das mesmas terras, que ele povoara, conseguiu três léguas no lugar já doado. A Fazenda Acauã, aí fundada, permaneceu com a família até 1928. Em 1817, o religioso Frei Caneca a descreveu como a melhor propriedade do sertão, com "uma capela pequena e nova, ficando‐lhe pelo lado esquerdo um bom sobrado, e pelo lado direito uma boa casa térrea", o que situa todo o conjunto no século XVIII ou princípio do XIX. Integrado ao conjunto, classificado pelo IPHAN em 1967, há um correr de casas mais recentes. O jogo de volumes, a sua integridade e a sua raridade na região tornam o arranjo notável. É provável que a casa corresponda à primeira construção definitiva da fazenda, em meados do século XVIII. Algumas paredes são de taipa, e outras de pedra e barro. Térrea, ela tem cobertura em quatro águas, que se prolonga a norte e oeste num alpendre fechado. Há salas na frente e atrás, sem corredor, num esquema mais complexo do que o padrão urbano. A capela, entre a casa e o sobrado, integra‐se à pri‐ meira através da torre, e ao segundo pela sacristia. A fachada tem vergas e cornija retas, frontão com volutas e flores singelas entalhadas na porta. O interior é de um rococó tardio, em que se destacam as duas tribunas de talha esguia, o púlpito mais pesado, a pintura do forro da capela‐mor (trabalho ingénuo, como o do retábulo), e o arco‐cruzeiro de madeira. A capela e o sobrado, a julgar pela descrição do frade e pela decoração, são da transição do século XVIII para o XIX, o que confirma sua atri‐ buição tradicional ao padre José Luiz Correia de Sá. Em 1988, o bulbo da torre desabou e foi reconstruído. Entre 2002 e 2004, houve obra de restauro completa - mas hoje o estado é novamente precário.

Juliano Loureiro de Carvalho

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