Concatedral de São Pedro dos Clérigos e Pátio de São Pedro

Concatedral de São Pedro dos Clérigos e Pátio de São Pedro

Recife, Pernambuco, Brasil

Arquitetura religiosa

A Confraria dos padres do Recife, de 1701, instalada na Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, no Recife, resolveu construir sua própria igreja na povoação de Santo António, atual bairro de igual nome. Os padres adquiriram em 1719, na Rua das Águas Verdes, uma horta e mais seis moradas. A antiga Ilha de António Vaz, a ex‐cidade Maurícia dos holandeses, era o lugar ideal para a igreja desejada, uma vez que outras de igual importância estavam sendo edificadas nesse privilegiado local do Recife. No dia 6 de Março de 1728, um risco para a nova igreja, de autoria do pedreiro/ arquiteto Manuel Ferreira Jácome, foi aprovado pela Mesa Regedora da Confraria. A igreja foi iniciada em 1728. No projeto apresentado, o arquiteto considerou o desenho urbano do lugar e envolveu a forma octogonal do espaço interior da nave com uma outra regular, delineada a partir de um retângulo que acompanhava o desenho das ruas. No espaço da nave, de planta baixa octogonal, simetricamente, se opõem o retângulo da capela‐mor e o espaço entre as torres. As duas torres ocupam o lado menor daquele octógono e estruturam os arremates cúbicos do corpo externo junto com a sacristia. O interior da igreja é tratado de maneira simétrica, e o arco triunfal repete‐se na entrada daquela nave octogonal, separando um falso nártex, onde se encontra a meia altura o coro. Internamente, essa nave tem uma composição simétrica bem singular, onde as alternâncias dos cheios e dos vazios foram tratadas de forma magistral. Uma verticalidade inusitada acentua esse interior coroado por uma abóbada octogonal, na qual se encontra uma pintura ilusionista de João de Deus Sepúlveda. A atual capela‐mor é uma ampliação do século XIX. A anterior, talvez menos profunda, era coberta em abóbada de berço. Na fachada principal, a acentuação vertical é obtida desde a composição dos cheios e dos vazios representados pelas portas de entradas, janelas do coro e nicho do frontão. Os altares da nave não são mais os originais. O atual retábulo do altar‐mor aproveitou parte da talha anterior, de gosto rococó filiado àquela da igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda. As talhas interiores são dos entalhadores Felipe Alexandre da Silva e José Gomes de Figueiredo. A sacristia, para a qual se tem acesso a partir dos corredores laterais à capela‐mor, inspira‐se na existente naquele mosteiro de Olinda. A imaginária da igreja é na sua maioria vinda de Portugal, das oficinas do Porto e de Lisboa. A Igreja dos Clérigos é dos mais notáveis monumentos do Recife. Um belo pátio emoldura a alta fachada. O pátio é contemporâneo da construção da igreja. A escala das construções: casario baixo e igreja monumental, em tempos históricos diferentes, lembra aquela antiga condição das igrejas medievais tendo a cidade ao redor.

José Luiz Mota Menezes

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