Fortaleza de Santa Catarina

Fortaleza de Santa Catarina

Cabedelo, Paraíba, Brasil

Arquitetura militar

O controle do Rio Paraíba era fundamental para a manutenção da capitania, visto que nele se localizavam a cidade‐sede da colonização, a várzea que abrigava a maioria dos engenhos de açúcar e os dois portos mais defensáveis de seu litoral. Assim, foi implantado um sistema defensivo na foz do rio, que imediatamente antes e durante o período holandês se baseava em três fortificações: a de Santo António, ao norte da barra; a da Ilha da Restinga, no meio do rio; e a de Santa Catarina, ao sul. Esta última, situada diante do principal canal do rio, terminou por se consolidar como a mais importante da capitania. Segundo Lins, a sua primeira versão, em taipa, fora concluída em 1589. Moura Filha mostra que, durante a ocupação holandesa, ela foi reconstruída com maiores dimensões e complexidade (mas ainda em taipa), transformando‐se em uma verdadeira fortaleza, e assumindo papel fundamental na resistência contra os portugueses. Com a expulsão dos invasores, os esforços da administração local não conseguiram mantê‐la íntegra. Monteiro afirma que a edificação atual foi iniciada em 1699, mas Moura Filha defende que nesta época continuava‐se a obra de reconstrução da fortaleza holandesa. Com certeza, pode‐se afirmar que, por volta de 1713, ela estava sendo refeita em pedra e cal, e em 1755 já tinha aspecto muito semelhante àquele com que alcançou o século XX. A praça de armas tem formato pentagonal. Para ela voltam‐se os quartéis, a capela, a casa da pólvora (com abóbada) e a casa do capitão‐mor (com arcadas). Há três baluartes maiores voltados para a terra e três menos desenvolvidos, orientados para a água. O fosso, com 22 metros de largura, chegou a ser transformado em fosso aquático em 1736, solução que abalou os alicerces da construção e foi logo abandonada. Nunca concluída e sempre ameaçada pelas marés, a fortaleza chegou ao século XX em avançado estado de arruinamento, incluindo as edificações interiores, e assim foi classificada pelo IPHAN. Contudo, após obras de reconstrução que se estenderam entre 1971 e 1990, encontra‐se íntegra em sua maior parte, restando incompletos os baluartes voltados para o rio.

Juliano Loureiro de Carvalho

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