Igreja de Akbar

Igreja de Akbar

Agra, Uttar Pradesh, Índia

Arquitetura religiosa

A igreja católica mais antiga de Agra, conhecida localmente como Igreja de Akbar, situa‑se a cerca de dois quilómetros a norte das muralhas do forte da cidade. A sua fundação remonta a 1598, data em que a terceira missão jesuíta chegou à corte mogol. Segundo Gauvin Bailey, a Igreja de Akbar foi por duas vezes demolida, resultando três edifícios distintos no mesmo local. É difícil confirmar esta afirmação mas, decididamente, a igreja sofreu diversas alterações mais ou menos radicais, sendo as derradeiras já em inícios do século XIX. À fundação da igreja primitiva seguiu‑se uma ampliação dezasseis anos mais tarde, da qual resultou uma estrutura integralmente abobadada, com uma nave e capela ‑mor e ainda dois altares laterais. Teria uma torre sineira e um cruzeiro no adro. A igreja sofreu um incêndio em 1616, tendo sido substituída por um edifício mais modesto. A partir de 1632, o imperador Shah Jahan retirou alguma liberdade aos missionários católicos em Agra. Os prisioneiros da queda de Hugli, cerca de quatro mil católicos, entre os quais muitos portugueses, chegaram a Agra em inícios de 1633 e muitos aí morreram. Neste contexto, os jesuítas foram obrigados a demolir a sua igreja em Agra, embora fossem autorizados a guardar os materiais construtivos para edificar uma casa particular. Assim, em 1635, surge uma cripto‑igreja no mesmo local da estrutura anterior. Tinha dispositivos para esconder as alfaias de culto e mobília nas paredes, ocultando desse modo a sua função litúrgica. A corte mogol terá regressado à anterior tolerância e a cripto‑igreja beneficiou de obras em 1675, sendo sucessivamente alargada. O saque de Agra, em 1758, pelas forças persas deixou a igreja muito danificada. O restauro foi iniciado uma década após o ataque, tendo sido financiado por dois generais germânicos ao serviço do reino marata. Deste restauro, concluído em 1772, e de intervenções do século XIX resulta o essencial da estrutura que hoje se pode ver em Agra. A planta do edifício inclui um amplo transepto, de aparência mais recente. Aposto ao frontispício, cuja cimalha ostenta a data de 1772, implanta‑se um nártex de austero desenho neo clássico. Este elemento, para além de ocultar e desfigurar a fachada principal, confere uma aparência estranha ao edifício religioso. A cúpula que se eleva a eixo do transepto poderá datar do século XVII, apresentando motivos decorativos de realce. Em redor da base do arranque da cúpula existe um terraço, acessível por duas estreitas escadas que acompanham as paredes laterais da cabeceira. De redobrado interesse é o portal lateral da nave, do lado da epístola, revelando uma combinação singular de elementos artísticos de origem mogol integrados numa composição de curioso desenho maneirista. No interior da igreja, esta combinação ocorre novamente, existindo vários motivos decorativos e nichos esculpidos nas paredes de claro sabor oriental, enquanto a estruturação rítmica principal é dada por pilastras com capitéis coríntios. O arco triunfal poderá ser um dos elementos arquitetónicos mais antigos do interior. Na capela‑mor, pobre pela ausência de retábulos, repetem‑se as pilastras. Torna‑se difícil fazer uma análise desta estrutura religiosa sem um estudo que exponha as principais alterações operadas pelas sucessivas intervenções ao longo da sua conturbada história. (SM)

Sidh Losa Mendiratta

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