Praça do Comércio do Rio de Janeiro

Praça do Comércio do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Equipamentos e infraestruturas

O prédio da primeira Praça do Comércio do Rio de Janeiro foi construído entre junho de 1819 e maio de 1820. Era o local de reunião dos homens de negócios, uma espécie de bolsa de valores. Projetado por Grandjean de Montigny, por encomenda de D. João VI, é o primeiro edifício construído na cidade pelo arquiteto da missão artística francesa. A inauguração do prédio ocorreu no dia do aniversário do rei, 13 de maio, e o arquiteto francês recebeu na ocasião a medalha da Ordem de Cristo. A Praça do Comércio ou, melhor dizendo, a Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, permaneceu porém pouco tempo no edifício. No ano de 1821, uma revolta popular reivindicando do rei, que se preparava para retornar a Lisboa, uma constituição liberal, foi iniciada na Praça do Comércio. A sangrenta revolta levou ao fechamento da "Praça" até 1824, quando foi transformada em Alfândega. Após uma criteriosa e longa restauração, o prédio de Grandjean de Montigny ressurgirá em 1990 como sede da Fundação Casa França‐Brasil, abrigando exposições e eventos artísticos. Conhecemos bastante sobre o projeto de Grandjean de Montigny, graças aos desenhos originais do arquiteto, que são conservados no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Por eles sabemos que na fachada da entrada principal, ao invés dos atuais óculos, havia grandes janelas, como as ainda existentes nas outras fachadas, e que foram parcialmente fechadas para a instalação da Alfândega, que necessitava de maior proteção. O tratamento das fachadas é bastante simples, com um corpo central levemente ressaltado e elevado, que é arrematado por frontão triangular. Na elevação central, vão em meio círculo, característico dos prédios públicos da Roma antiga. Uma recente obra de conservação da fachada deixou à mostra o embasamento de cantaria em arenito de Ipanema do corpo central. Inspirado pelo seu uso original nas antigas basílicas romanas, o espaço interno é um amplo salão aberto em cruz composto pela associação de quatro abóbadas de berço e cúpula central iluminada através de um lanternim, expediente muito empregado pelos romanos em suas termas e basílicas. As colunas dóricas que sustentam a cobertura do salão são revestidas de madeira com pintura marmorizada.

José Simões Belmont Pessôa

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