Passeio Público

Passeio Público

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Equipamentos e infraestruturas

Foi o primeiro jardim público construído na América Portuguesa, obra do vice‐rei Luiz de Vasconcellos entre os anos de 1779 e 1783. Surgiu em terrenos resultantes do aterro de uma lagoa, nas proximidades de onde vivia o vice‐rei, e deve seguramente a este a concepção do traçado adotado. Sua forma invulgar, um quadrilátero trapezoidal, reproduz, grosso modo, o contorno da lagoa. O jardim murado era recortado por alamedas retilíneas, arborizadas por espécies tropicais, mangueiras, jaqueiras, tamarineiras, jambeiros, que garantiam sombra aos visitantes e as características de jardim de perfumes. As aleias terminavam junto ao mar, num terraço retangular pavimentado com lajes de pedra, cercado de muretas em forma de bancos de alvenaria, com encosto de azulejos. O Passeio Público inaugurava a relação contemplativa da cidade com a paisagem. Mestre Valentim é o responsável pelas esculturas que o ornamentam e, segundo alguns autores, também pelo traçado do jardim. Ele utilizou elementos da antiguidade, como as duas pirâmides de base triangular em granito na aleia principal, com dísticos em lioz celebrando a relação do vice‐rei com a cidade: Ao amor do público e A saudade do Rio, ou a celebração ilustrada da natureza na fonte com jacarés de bronze em meio a vegetação ou na do Menino, um cupido alado segurando numa mão um cágado que verte água num tonel e na outra uma faixa escrita sou útil ainda brincando. O jardim se encontra hoje cercado por grades, ao invés do muro original, e o atual traçado das aleias, de gosto romântico, é obra da segunda metade do século XIX. Restam, além das esculturas no interior do jardim, o portal original, composto de pilastras jónicas em gra‐ nito, coroadas por urnas, e o portão com as efígies de D. Maria I e D. Pedro III.

José Simões Belmont Pessôa

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